O essencial:

Não gostar de tirar fotografias ou evitar aparecer nelas não significa automaticamente baixa autoestima, mas pode revelar desconforto com a própria imagem, medo do julgamento dos outros ou tendência para comparações excessivas. Especialistas explicam que as redes sociais e os padrões de beleza irreais aumentaram a pressão para parecer "perfeito" em todas as fotografias.


A relação complicada entre a câmara e a autoestima

Para algumas pessoas, tirar uma fotografia pode transformar-se num momento de ansiedade, desconforto ou até frustração. Há quem evite aparecer nas imagens, quem peça constantemente para as apagar e quem sinta vergonha ao ver-se numa fotografia.


Segundo a psicologia, este comportamento pode estar relacionado com a forma como te vês a ti próprio. Quando existe uma perceção muito crítica da aparência, uma fotografia deixa de ser apenas um registo e passa a funcionar quase como uma avaliação visual permanente, de acordo com o site Tupi.


Ao contrário do espelho, onde consegues controlar o ângulo, a expressão e até o tempo que passas a observar-te, uma fotografia capta um instante específico. E nem sempre essa imagem corresponde à forma como imaginas ser visto pelos outros.


Especialistas explicam que o cérebro humano tende a preferir aquilo que lhe é familiar. Como estamos habituados à nossa imagem refletida ao espelho, ver uma versão diferente numa fotografia pode causar estranheza. É uma das razões pelas quais tantas pessoas sentem que "ficam pior" nas fotografias do que na realidade.


Treinar poses e perceber quais são os teus melhores ângulos pode ajudar-te a ganhar confiança. Caroline Guntert, modelo de 26 anos, contou à Vice que a sua perceção sobre as próprias fotografias melhorou bastante depois de começar a praticar poses ao espelho.


Mas a relação com a imagem mudou muito nos últimos anos. As redes sociais criaram uma cultura de exposição constante, onde filtros, edições e poses estudadas passaram a fazer parte do dia a dia. Hoje, uma simples fotografia pode ser comparada com centenas de imagens idealizadas publicadas online.


Esse hábito de comparação permanente acaba por aumentar a pressão estética e a necessidade de controlo sobre a aparência. Muitas pessoas sentem que qualquer fotografia tem de estar perfeita antes de ser publicada, enviada ou até guardada no telemóvel.


Ainda assim, os especialistas sublinham que evitar fotografias nem sempre está ligado a insegurança. Há quem simplesmente não goste de ser fotografado, prefira viver o momento sem telemóveis ou valorize mais a privacidade. O problema surge quando o desconforto começa a afetar o bem-estar ou a vida social.


A boa notícia é que a relação com a câmara pode melhorar. Ganhar confiança, reduzir as comparações constantes e aceitar que nenhuma fotografia consegue mostrar exatamente quem és pode ajudar-te a lidar melhor com a tua imagem.


Pontos a reter:

  • Evitar fotografias pode estar ligado ao desconforto com a própria imagem.
  • As redes sociais aumentaram a pressão para parecer "perfeito".
  • O cérebro tende a estranhar imagens diferentes das que vê ao espelho.
  • Comparações constantes podem afetar a autoestima.
  • Nem toda a gente que evita fotografias tem inseguranças.
  • Uma fotografia não representa totalmente a realidade nem define quem tu és.


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