O essencial

  • Santo António nasceu em Lisboa entre 1191 e 1195 com o nome Fernando de Bulhões.
  • É conhecido como santo casamenteiro, protetor das crianças e santo dos objetos perdidos.
  • Morreu em Pádua, Itália, a 13 de junho de 1231.
  • Foi canonizado menos de um ano depois da morte, um dos processos mais rápidos da história da Igreja.
  • As festas dos Santos Populares em Lisboa estão profundamente ligadas à sua figura.


Há um santo que continua a marcar Lisboa mais de 800 anos depois

Todos os anos acontece a mesma coisa.

As ruas enchem-se de manjericos, marchas populares, sardinhas assadas e arraiais. Lisboa veste-se de festa e o nome de Santo António volta a ouvir-se por toda a parte.

Mas quem foi realmente o homem por detrás da tradição?

Conhecido como santo casamenteiro, protetor dos mais pobres e até "especialista" em encontrar objetos perdidos, Santo António continua a ser uma das figuras mais populares da cultura portuguesa.

E a sua história começou precisamente em Lisboa.


Santo António nasceu em Lisboa, mas não se chamava António

Segundo a Igreja Católica e várias fontes históricas, Santo António nasceu em Lisboa entre os anos de 1191 e 1195 com o nome Fernando de Bulhões. O local de nascimento é tradicionalmente associado à zona junto à Sé de Lisboa, onde hoje se encontra a Igreja de Santo António. Segundo a própria igreja, o templo foi construído no local onde terá existido a casa da família do santo.

Fernando nasceu numa família de origem nobre e, durante a juventude, recebeu educação destinada à formação de um cavaleiro. No entanto, acabou por seguir um caminho diferente.

Ainda jovem ingressou na Ordem dos Cónegos Regrantes de Santo Agostinho, primeiro em Lisboa e depois em Coimbra, onde aprofundou os estudos de teologia e das Escrituras, segundo informação da Igreja de Santo António e da Arquidiocese de Lisboa.


Porque mudou de nome?

A mudança aconteceu quando decidiu integrar a Ordem Franciscana.

Inspirado pelo exemplo dos primeiros missionários franciscanos, Fernando adotou o nome António em homenagem a Santo Antão do Deserto, figura muito venerada pelos franciscanos.

Foi também nessa fase que começou a destacar-se como pregador, ganhando fama pela capacidade de comunicar e explicar os ensinamentos cristãos de forma simples e próxima das pessoas.


Como se tornou santo tão depressa?

Santo António morreu a 13 de junho de 1231, em Arcella, perto de Pádua, em Itália.

A popularidade era já tão grande que o processo de canonização avançou rapidamente. Menos de um ano depois, em maio de 1232, foi declarado santo pelo Papa Gregório IX.

Segundo o Vaticano, trata-se de uma das canonizações mais rápidas da história da Igreja Católica.


Porque é conhecido como santo casamenteiro?

Esta é talvez a faceta mais popular de Santo António.

Existem várias histórias associadas à ajuda prestada a jovens sem recursos para casar. Uma das mais conhecidas conta que o santo terá conseguido dinheiro para o dote de uma rapariga pobre, permitindo-lhe concretizar o casamento.

Ao longo dos séculos, estas narrativas deram origem à tradição de pedir ajuda a Santo António para encontrar amor ou resolver problemas amorosos.

Daí nasceu a fama de santo casamenteiro, uma tradição que continua viva em Portugal e no Brasil.

O santo dos objetos perdidos

Se já ouviste alguém dizer "Santo António, ajuda-me a encontrar isto", não estás sozinho.

A tradição de recorrer ao santo para encontrar objetos perdidos surgiu ainda na Idade Média e espalhou-se por vários países.

Segundo a tradição católica, a crença está associada a um episódio em que um noviço terá levado um livro muito importante pertencente ao santo. Após as orações de António, o livro acabou por regressar, dando origem à devoção relacionada com objetos desaparecidos.

Porque existem altares de Santo António nas ruas de Lisboa?

A tradição dos altares populares está ligada ao terramoto de 1755.

A Igreja de Santo António sofreu graves danos durante a catástrofe e foi necessário angariar fundos para a reconstrução.

Segundo a Câmara Municipal de Lisboa e várias fontes históricas sobre os Santos Populares, os lisboetas começaram a montar pequenos altares nas ruas e a pedir "um tostãozinho para o Santo António", recolhendo donativos para a obra.

A igreja foi reconstruída, mas a tradição ficou.

Ainda hoje é possível encontrar altares dedicados ao santo em muitos bairros históricos da cidade.

Porque aparece sempre com um menino ao colo?

As imagens de Santo António costumam incluir três elementos principais:

  • O Menino Jesus;
  • Um livro;
  • Uma açucena (lírio branco).

Segundo a tradição religiosa, o Menino Jesus representa uma visão mística atribuída ao santo.

O livro simboliza o conhecimento e a importância da sua pregação.

Já a açucena está associada à pureza e à vida espiritual.

Curiosidade: Santo António também foi militar

Há uma tradição menos conhecida.

Durante a Guerra da Restauração, no século XVII, Santo António foi simbolicamente incorporado no Regimento de Infantaria de Lagos.

Ao longo dos anos recebeu mesmo promoções honoríficas, chegando à patente de capitão.

É uma das curiosidades mais invulgares da história do santo lisboeta.

Santo António é o padroeiro de Lisboa?

Não.

Apesar de ser a figura mais celebrada durante os Santos Populares, o padroeiro oficial da cidade de Lisboa é São Vicente.

Ainda assim, para muitos lisboetas, Santo António continua a ser o verdadeiro rosto das festas de junho.


Perguntas frequentes sobre Santo António

Onde nasceu Santo António?

Em Lisboa, entre os anos de 1191 e 1195, com o nome Fernando de Bulhões.

Porque é chamado santo casamenteiro?

Porque várias tradições e lendas relatam a ajuda prestada por Santo António a casais e jovens que pretendiam casar.

Onde está sepultado?

Na Basílica de Santo António, em Pádua, Itália.

Quando morreu?

A 13 de junho de 1231.

Porque se fazem altares de Santo António?

A tradição surgiu após o terramoto de 1755 para angariar fundos destinados à reconstrução da Igreja de Santo António em Lisboa.


Resumo rápido

- Santo António nasceu em Lisboa com o nome Fernando de Bulhões.
- Tornou-se franciscano e adotou o nome António.
- Morreu em Pádua a 13 de junho de 1231.
- É conhecido como santo casamenteiro e santo dos objetos perdidos.
- A tradição dos altares nasceu após o terramoto de 1755.
- Continua a ser a figura central das festas dos Santos Populares em Lisboa.



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