Os dias estão maiores, o sol está mais forte e as temperaturas estão a subir, o que significa que está na altura de voltar ao ginásio.
Devíamos ter começado a treinar há 3 meses, mas ainda vai dar.
Estamos bem, o verão só começa daqui a um mês e tal.
Isto bem trabalhado, conseguimos meter 5 meses em 7 semanas.
Também é só “rapar” aqueles quilos a mais que ganhámos na Páscoa, e talvez no Natal. É aquela flacidez do inverno, faz-se bem.
O culpado é o frio, precisámos de ganhar aquela camada adiposa protectora para combater o fresco. Nós não temos culpa.
Não é gula.
Não é falta de cuidado.
Não é alcoolismo.
É sobrevivência.
Posso começar por dizer que não vou ao ginásio exercitar-me há mais de um ano.
Para ser preciso, há 40 anos.
Por acaso, fui uma vez a um ginásio, em 40 anos. Fui lá, tratei da inscrição, mas não tinha dinheiro, então disse que ia só levantar à maquina multibanco (não tinham multibanco), mas a senhora da recepção, amavelmente, disse não “se preocupe… Paga na primeira vez que vier”
E eu NUNCA mais voltei.
Há aqui uma lição de vendas. Se eu tivesse feito o pagamento tinha acabado por ir, pelo menos uma vez, nem que fosse por culpa.
Eu não vou ao ginásio, é verdade, mas isso não significa que não faça exercício. Já treinei algumas coisas na vida, taekwondo, kickbox, capoeira, mikado…
Por isso, encontrei aqui um meio termo, e resolvi, porque um dos meus melhores amigos é campeão de kickbox e tem uma academia, voltar a treinar.
Fui à academia dele e percebi que não estou bem fisicamente.
Não vou mentir, fiquei cansado só a vestir-me.
Além disso, para ir do balneário para a zona de treino, é preciso subir uma escadaria. Eu subi a escadaria e quando pisei o último degrau pensei, “Isto por hoje está feito. Para mim, chega”.
Gostava de dar uma palavra de apreço aos treinadores e atletas que, através do jargão utilizado me fazem sentir bem vindo e capaz de muitas coisas.
É que apesar de eu ser uma bosta, em todas as actividades, ninguém diria pela forma como me cumprimentam.
“COMO É QUE É MÁQUINA DE GUERRA?”
Eu nem sou uma máquina, quanto mais de guerra, mas dou por mim todo contente, a pensar, “Eu por acaso, se calhar sou um bocadinho máquina de guerra.”
É um quentinho. Eles chamam-me tudo o que eu não sou:
“ENTÃO CAMPEÃO!”
“COMO É QUE É BOM MARIDO?”
“SE NÃO É O MELHOR PAI?”
Faz-me sentir bem, apesar de ser mentira.
Agora que penso nisso, até era uma boa ideia. Uma espécie de ginásio emocional para uma pessoa ficar bem.
Não levantava peso, levantava astral.
“Agora, vou para a máquina do miminho!”
“E logo a seguir vou para o “amor de pai”, que é a máquina mais concorrida do ginásio. É só um abraço e uma voz a dizer “Adoro-te filho, és mais do que suficiente”.
“Termina na máquina “bom casamento”, em que é uma mão que nos faz festinhas no cabelo e diz… “uau, que bem dobrado que isso está! Nota-se que te esforçaste. Tenho o melhor marido.”
E quando fossemos embora, a porta dizia:
“Até à próxima, MÁQUINA DE GUERRA” (para não destoar assim tanto)
Parece-me que esse ginásio ia ter gente o ano todo.
Fica a ideia.
Ouve aqui todos os episódios no Podcast Dudas de un Hombre.
