Mais um dia em que uma obra de arte é partida por causa de uma fotografia. No Palazzo Maffei, em Verona, Itália, uma peça cintilante de arte contemporânea foi destruída de forma quase cinematográfica por um casal em busca da fotografia perfeita.


A cadeira em questão, coberta por centenas de cristais Swarovski, era uma criação do artista italiano Nicola Bolla. Inspirada na famosa pintura da cadeira de Van Gogh, a peça misturava simplicidade e luxo. Mas o seu encanto acabou por ser também a sua ruína: um casal, entretido a tirar fotografias, resolveu fingir que se sentava nela - e o fingimento transformou-se em queda real.

O momento foi captado pelas câmaras de segurança do museu. As imagens mostram o homem a escorregar e a cair sobre a obra, esmagando a estrutura delicada. Aparentemente feita com materiais leves, como folha metálica, a cadeira não resistiu ao embate. Dois pés e o assento ficaram partidos. Em vez de reportar o incidente, o casal fugiu discretamente do local, deixando os cristais espalhados pelo chão.

Apesar do estrago, a obra foi restaurada com sucesso e já voltou ao seu pedestal - que, aliás, tinha um aviso claro: "Não tocar".

Vanessa Carlon, diretora do museu, comentou à BBC que "às vezes perdemos a cabeça para tirar uma fotografia e esquecemo-nos das consequências". Para ela, mais grave que o acidente foi o silêncio dos visitantes: "Partir uma peça pode acontecer, fugir sem dizer nada é que não é um acidente".

Este episódio, ocorrido em abril mas tornado público agora, em junho, gerou debate sobre o comportamento dos visitantes em espaços culturais.
No final, o museu não revelou o valor da obra, mas deixou um apelo claro: que todos entrem nos museus com o mesmo cuidado com que se entra num lugar sagrado. Afinal, nem toda a arte resiste a um momento mal calculado para o Instagram.