Está quase a fazer três meses desde o apagão.
Sabemos o que o provocou? Não (vá, mais ou menos). Queremos saber? Também não.
Como sociedade, temos o grau de concentração de um abacate velho.

O que me leva à questão de hoje, “quem é que já tem o kit de emergência recomendado?”
Quase ninguém. E eu compreendo. Na altura, os vendedores aproveitaram para inflacionar os preços de acordo com a procura…

“Nada disso, um rádio a pilhas sempre foi 50 euros!”

Portanto, claro que não comprei logo. Há ursos, mas eu não sou um deles (Citation needed).

Eu espero. Espero três meses e depois trato disso.

Então, finalmente, decidi ir comprar o kit.

E decidi por minha livre e espontânea vontade deixar a minha mulher mandar-me ir.
Aliás, a minha parceira. Gosto mais de dizer “parceira”. Dá um ar de campanha no Instagram.
Todas as fotos com ela levam #pub. É casamento? É parceria? Não sabemos.

Continuando, lista na mão (organizada por ela, claro), lá fui eu para a Decathlon, feito o taralhoco que sou.

A lista dizia:

  • Sacos-cama — porque aparentemente a minha mulher acha que o próximo apagão vai apagar as camas também.
  • Camping gás — faz sentido. Problema: há mais tipos de camping gás do que tipos de arroz no supermercado.
    E eu percebo tanto de camping gás como percebo de arroz quando a minha mulher não especifica qual quer.
    Agulha? Carolino? Basmati? Bom Sucesso? Negro? Eu sei lá!

Há fogões a gás protateis para todos os tipos… e eu não sei os planos da minha mulher em caso de catástrofe. É para fazer umas omeletes? É para começar a cozinhar para fora? Vamos abrir o maior restaurante no parque de campismo da Caparica. Não sei!

  • Tampões para os ouvidos do Quim — nada a ver com o apagão, é por causa da natação, mas estava na lista.
  • Lanternas de dínamo — comprei duas, porque pensei “os meus filhos vão estragar uma e assim tenho outra.”

Os meus filhos já estragaram as duas.

  • Rádio a pilhas — para poder ouvir RFM.
  • Pilhas — porque o rádio é a pilhas.

.

E ainda trouxe atum e um garrafão de água.
O meu filho abriu o atum, sem eu reparar, provou e decidiu que afinal não gosta.
Resultado: estou há dois dias a comer arroz de atum com sabor a Erasmus.

Cheguei a casa e, para garantir que não me faltava nada, pedi ajuda ao ChatGPT.
Primeira coisa que ele diz? Kit de primeiros socorros.
Não tenho.
Velas? Esqueci-me.
Apito? Nope.
Canivete? Também não.
E mais uma lista infinita de coisas que não comprei.

Conclusão: continuo sem kit de emergência, mas ao menos tenho um saco de cama e um camping gás para fazer o arroz de atum. Já não é mau.
Já tenho planos para ir comprar o que falta… daqui a três meses.
Ou quando a minha mulher me obrigar.



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