No meio de chamadas por Zoom com câmara desligada, folhas de cálculo abertas só para inglês ver e aquela pausa para "esticar as pernas" que dura mais do que um filme começa a surgir uma nova epidemia: a fraude de horário de trabalho.


Chama-se em inglês time theft - roubo de tempo - e é uma das formas mais comuns de fraude salarial. Não se limita a quem está em teletrabalho, mas a verdade é que o home office tornou esta trapaça muito mais difícil de detetar.

O que conta como fraude de horário?

Fraude de horário não é só sair cinco minutos mais cedo. Eis o que entra nesta lista:

- Iniciar o dia às 11h, mas registar entrada às 9h;
- "Trabalhar" enquanto se vê uma série ou se passeia o cão;
- Ignorar chamadas e e-mails por horas, alegando estar "em foco profundo" - "Desculpa, não vi o teu e-mail porque estava super focado num projeto.";

- Pedir a um amigo para registar a tua entrada ou saída no sistema de horários - como se estivesses presente, quando na verdade ainda nem chegaste, já foi embora ou nunca apareceu;

- Entregar tudo atrasado mas com cara de "trabalho imenso";


Mas espera… também há fraude do lado da empresa! Não são só os trabalhadores a aldrabar. Algumas empresas classificam mal os colaboradores como freelancers ou prestadores de serviços quando, na verdade, cumprem horários fixos, tarefas recorrentes e recebem benefícios - o que os torna, legalmente, funcionários dependentes.