Labubus e, agora, os Jellycats. À primeira vista, parecem simples brinquedos para crianças, mas estão a tornar-se objetos de desejo para um público muito mais velho. O fenómeno é global: a Pop Mart, marca chinesa por detrás do Labubu, esgota coleções em poucas horas.


Segundo os especialistas, a explicação vai muito além da estética. Num contexto de incerteza económica e social, estes brinquedos oferecem conforto emocional e uma ligação direta à infância. "As pessoas procuram experiências e objetos que tragam conforto, felicidade e uma sensação de diversão", explica Peter Shipman, diretor da Pop Mart na Europa, à 'Vogue'.


Para o jornalista Angel Nemov, "é algo profundamente psicológico. Acho que, para algumas pessoas como eu, é quase uma cura da criança interior. Sentes que nunca cresceste verdadeiramente e carregas pequenos pedaços da tua infância que podem ser bastante nostálgicos, divertidos e brincalhões".


O interesse por estes brinquedos aumenta ainda mais com o formato "caixa cega", que transforma cada compra numa experiência viciante. Tal como nos anos 90, com as cadernetas de cromos ou as cartas Pokémon, o fator surpresa ativa a nostalgia e mantém o colecionador sempre à procura da próxima peça.


Além disso, a chamada estética "feia-fofa", que valoriza imperfeições e designs fora do comum, encaixa no desejo atual de individualidade e rejeição dos padrões de beleza convencionais. Para muitos, pendurar um Labubu numa mala de luxo é uma afirmação de personalidade.


A tendência pode não durar para sempre, mas para já está a crescer. E, enquanto o mundo real se mostra imprevisível, há cada vez mais adultos a preferirem viver, mesmo que por instantes, num universo de peluches e mini monstros coloridos.