Em tempos normais, ninguém em perfeito juízo aceitaria trabalhar sem receber salário. Muito menos pagar para estar lá. Mas, na China, há jovens desempregados a fazer exatamente isso - e, surpreendentemente, está na moda.


Com o desemprego jovem acima dos 14% e poucas oportunidades no mercado, apareceram "empresas" especializadas em deixar as pessoas fingirem que têm emprego. Chamam-se coisas como "Pretend To Work Company" e funcionam como escritórios reais: computadores, internet, salas de reunião e até cantina. A única diferença? Ninguém está, de facto, contratado.

O conceito é simples: paga-se entre 30 e 50 yuan por dia (cerca de 4 a 7 euros) para ter uma secretária e a ilusão de vida profissional ativa. O pacote pode incluir snacks, chá e até almoço. No fundo, é um coworking, mas com mais teatro do que trabalho.

A rotina do "trabalhador de faz-de-conta"

Tal como conta a BBC, Shui Zhou, de 30 anos, começou a pagar para ir todos os dias ao escritório fictício em Dongguan. Chega entre as 8h e 9h da manhã e, muitas vezes, só sai depois das 23h. Entre fingir que está ocupado, procura emprego, fala com os "colegas" e combina jantares.

O resultado? Está mais feliz, sente-se produtivo e até enviou fotos aos pais para lhes "descansar o coração".

Criatividade ao poder
Há também quem use a experiência para enganar a universidade. Xiaowen Tang, 23 anos, precisava de mostrar um contrato de estágio para receber o diploma. Em vez disso, pagou um mês num destes escritórios e enviou fotos como prova.

Porque é que isto existe?
Especialistas dizem que é uma mistura de frustração, pressão familiar e necessidade de manter uma aparência social. O próprio dono de um destes espaços afirma que não vende apenas secretárias - vende "a dignidade de não parecer inútil".

Mas há um lado positivo: alguns acabam por ganhar competências reais e transformar o emprego fictício num arranque de carreira. Outros, claro, preferem continuar no teatro profissional, com horário, colegas… e nenhuma reunião que importe.