Depois de meses de trabalho sem parar, aulas puxadas ou uma rotina familiar caótica, chegam finalmente as férias tão esperadas. A tentação é clara: dormir até tarde, passar a manhã a recuperar no sofá e acreditar que, com umas boas sestas, toda a falta de sono vai ser compensada. Mas será que funciona mesmo assim?


Podemos recuperar o sono perdido?
A resposta é: sim e não. Dormir mais ajuda a repor parte da energia, mas a eficácia depende de quão privado de sono se esteve antes. Especialistas explicam que os adultos precisam, em média, de 7 a 9 horas de sono por noite. Já crianças e adolescentes necessitam ainda mais.
O problema é que grande parte da população não chega a estas horas mínimas. Basta perder uma hora de sono durante cinco dias úteis para, ao fim da semana, estar com um défice de cinco horas. E dormir apenas um bocadinho mais ao sábado e domingo não chega: seria preciso compensar todas essas horas, uma a uma.
Ou seja, sim, dormir até mais tarde ajuda, mas pode significar precisar de várias noites (ou dias inteiros) para equilibrar o que foi perdido.

O que acontece quando falta sono
O impacto da privação de sono vai muito além do cansaço. Dormir mal está associado a:
- Maior risco de acidentes de viação;
- Sistema imunitário enfraquecido;
- Recuperação mais lenta de doenças;
- Maior probabilidade de desenvolver doenças cardíacas, diabetes, obesidade e até Alzheimer.

O mais curioso? Muitas pessoas nem percebem que estão privadas de sono, porque já se habituaram a viver num estado constante de fadiga, irritabilidade e falta de foco.

Dicas para recuperar (e manter) boas noites de sono
Especialistas sugerem estratégias simples para melhorar a qualidade do descanso - em férias e depois delas:
- Não uses despertador nos dias de descanso: deixa o corpo acordar naturalmente;
- Evita cafeína a partir das 14h;
- Desliga os ecrãs pelo menos uma hora antes de dormir;
- Usa a cama apenas para dormir (não para ver TV ou trabalhar);
- Mantém o quarto fresco e escuro;
- Evita comidas pesadas e álcool antes de deitar;
- Se fizeres sestas, mantém-nas curtas (15 a 20 minutos).

E quando viajamos?
Ir para outro fuso horário ou dormir numa cama diferente pode atrapalhar ainda mais. Existe até um fenómeno chamado "efeito da primeira noite", em que o cérebro não relaxa totalmente quando dormimos num espaço desconhecido. A solução é planear e tentar manter horários de sono semelhantes aos habituais, mesmo durante as férias.


Dormir mais durante as férias ajuda, mas não faz milagres. Se a privação de sono dura há meses, não há semana de descanso que resolva. A melhor forma de evitar problemas é criar uma rotina de sono regular, respeitar as horas mínimas recomendadas e não esperar pelas férias para recuperar o que se perdeu.