Em Pont-de-Barret, uma aldeia com pouco mais de 600 habitantes, apanhar transportes públicos é quase uma missão impossível: só passa um autocarro por dia. Infelizmente, esta é uma realidade bastante conhecida aqui em Portugal e, para quem não tem carro, isto significava ficar em casa ou viver à boleia de amigos.

Mas os moradores desta aldeia não se deixaram travar. Em vez de reclamarem, arranjaram uma solução: partilhar um carro. Não é um Tesla, nem um modelo de luxo, é um resistente Citroën ZX azul, herdado do avô de um dos moradores, que já leva mais de 24 mil quilómetros ao serviço da aldeia.

O funcionamento é simples: quem precisa do carro vai buscá-lo ao café da terra, anota os quilómetros num caderno e, no final, paga cerca de 25 cêntimos por quilómetro. O valor cobre o combustível e as revisões. Hoje, cerca de 30 pessoas usam este sistema para ir ao médico, às compras ou simplesmente quando o carro próprio decide ficar na oficina.

O que começou como um improviso entre cinco vizinhos transformou-se numa espécie de “autocarro invisível” da aldeia - sempre disponível, sempre útil e partilhado por todos.

Em Pont-de-Barret não há metro, não há Uber e o autocarro mal se vê. Mas há um Citroën azul comunitário que faz o papel de transporte público, táxi e carro da família, tudo ao mesmo tempo. Talvez seja esta a solução para muitas aldeias e vilas portuguesas.