A idade pode ser apenas um número, mas a verdade é que chega uma certa altura da nossa vida e pode começar a pesar. O corpo sente esse peso do anos e a memória já teve melhores dias. A esperança média de vida nunca esteve tão alta, mas ainda assim a espanhola Maria Branyas Morera decidiu fintar tudo isso.
Até 2023, ano em que morreu, foi a pessoa mais velha do mundo, com uns belos 117 anos. A forma como se manteve saudável, com uma aparência mais jovial e uma vitalidade de fazer inveja a qualquer jovem, fez com que se tornasse caso de estudo, em Espanha. Maria Branyas Morera passou por duas guerras mundiais, a guerra civil espanhola e até enfrentou a Covid-19, da qual recuperou, aos 113 anos.
Segundo o The Guardian, o estudo em causa analisou em detalhe a biologia de Maria Branyas Morera. Recolheram amostras de sangue, saliva, urina e até do microbioma intestinal de Branyas, um ano antes da sua morte, para perceber como conseguiu chegar tão longe sem sofrer das doenças típicas da velhice.
Os resultados foram surpreendentes
Apesar de ter telómeros extremamente curtos (um sinal claro de envelhecimento celular), isso pode ter funcionado como proteção contra o cancro, limitando a divisão das células.
Foram identificadas variantes genéticas que protegiam o coração e o cérebro, reduzindo riscos de doenças cardiovasculares e de demência.
O corpo mostrava baixos níveis de inflamação e um metabolismo eficiente das gorduras e do colesterol - fatores que diminuem as probabilidades de diabetes e cancro.
O seu microbioma intestinal parecia muito mais jovem do que a idade real, com grande presença de bactérias benéficas como as Bifidobacterium.
A idade biológica de Branyas parecia estar 10 a 15 anos abaixo da sua idade cronológica.
Claro que não foi só genética. Maria Branyas mantinha hábitos de vida saudáveis: não fumava, não bebia, tinha uma alimentação equilibrada (com muito iogurte) e uma vida social ativa junto da família e amigos.
Para os investigadores, este caso pode abrir portas a novos tratamentos que permitam "envelhecer bem", reproduzindo os efeitos de bons genes e bons hábitos em toda a população. Como explicou o professor João Pedro de Magalhães, microbiologista português, da Universidade de Birmingham, ao mesmo jornal, compreender os segredos da longevidade extrema pode ser a chave para que todos vivam mais anos e com mais saúde.