Nos últimos tempos, muitos profissionais têm vindo a reparar num fenómeno preocupante nas suas carreiras: o chamado "ghost growth", crescimento fantasma em português. À primeira vista, parece que estão a evoluir, mas na prática não há mudanças reais no salário, no cargo ou nas oportunidades de progressão.


De acordo com um estudo recente da plataforma de carreira My Perfect Resume, quase dois terços dos trabalhadores nos Estados Unidos afirmam já ter passado por esta situação. Metade diz sentir que a sua carreira estagnou, apesar de receberem novas tarefas ou elogios superficiais. Infelizmente, não é apenas um problema nos Estados Unidos. É a tua realidade?

O que é afinal o ghost growth?
O termo descreve aquela sensação de "sucesso no papel", mas sem retorno verdadeiro. O colaborador assume mais responsabilidades, acumula funções e até mostra resultados - mas em troca recebe apenas reconhecimento vazio, sem promoções, aumentos ou evolução concreta.

A especialista em carreiras Jasmine Escalera sublinha que este tipo de falsa progressão pode ser altamente desmotivador. "É como receber uma palmadinha nas costas em vez de uma oportunidade real. A longo prazo, mina a confiança e o empenho dos colaboradores", explica.

O impacto nos trabalhadores
O estudo mostra que um quarto dos profissionais sente frustração perante o crescimento fantasma e cerca de 20% acaba por entrar em burnout. Ainda mais alarmante: 68% consideraram mudar de emprego devido a este fenómeno.

Entre os desejos mais apontados pelos trabalhadores estão: maior remuneração (27%), melhor equilíbrio entre vida pessoal e profissional (18%), e a oportunidade de assumir cargos de liderança (16%).

Como evitar o ghost growth
Para as empresas, este é um verdadeiro alerta. Apostar apenas em oportunidades superficiais é a receita para o desastre em termos de motivação e retenção de talento.

O caminho passa por: promover um diálogo transparente sobre expectativas de carreira; criar planos de progressão claros; reconhecer de forma justa quem assume mais responsabilidades, seja em títulos, seja em remuneração.

Já para os profissionais que sentem estar a viver o crescimento fantasma, a recomendação é simples: abrir a conversa com os chefes, apresentar provas do valor acrescentado e negociar. Se não houver abertura para um plano real de crescimento, talvez seja altura de procurar novos horizontes.


O crescimento fantasma pode parecer, à primeira vista, um sinal positivo, mas é apenas uma ilusão de progresso. No mercado de trabalho atual, onde a retenção de talento é um desafio, ignorar esta realidade pode sair caro às empresas. Afinal, os melhores profissionais não procuram apenas reconhecimento simbólico - querem ver o seu esforço traduzido em evolução verdadeira.