Quase todas as casas têm pelo menos um par de sapatos cujo cheiro é impossível de ignorar. Multiplica isso pelo armário de uma família, empilha-os numa sapateira e tens um problema doméstico tão universal quanto pungente.


Dois investigadores indianos decidiram que isto não era só mau cheiro, era ciência. Vikash Kumar, professor assistente de design na Shiv Nadar University, e Sarthak Mittal, antigo aluno, começaram por querer criar uma sapateira estética para estudantes. Mas depressa perceberam que o verdadeiro problema não era a falta de espaço, mas o cheiro intenso causado pelo suor e uso contínuo dos sapatos, também conhecido como chulé.

O que fez a diferença foi uma pergunta simples: se os nossos ténis cheiram mal, não arruína isso toda a experiência de usar um sapateiro?


Depois de questionarem 149 estudantes, segundo a BBC, os cientistas descobriram algo que todos suspeitávamos mas raramente admitimos: mais de metade já se sentiu envergonhada pelo cheiro dos seus próprios sapatos ou dos de outros. A grande maioria mantinha os sapatos na sapateira, mas quase ninguém conhecia produtos desodorizantes eficazes. Truques caseiros: saquinhos de chá, bicarbonato de sódio, desodorizante ajudavam, mas não resolviam o problema.


A solução científica veio do Kytococcus sedentarius, uma bactéria que adora viver em sapatos suados. Um feixe curto de luz ultravioleta do tipo C eliminava as bactérias e, com elas, o mau cheiro.

O resultado? Uma sapateira equipada com luz UVC que não só armazena, mas esteriliza os sapatos, transformando um problema pungente numa experiência de design inovadora.

O trabalho não passou despercebido: os investigadores receberam o Ig Nobel, um prémio humorístico que celebra a ciência criativa e inesperada.