O Halloween da Murteira começou como uma brincadeira de um grupo de amigos, que todos os anos se juntava para se divertir e criar uma experiência assustadoramente incrível. Hoje, a tradição cresceu e alarga-se a centenas de participantes, tantos que os bilhetes já esgotaram.
Este ano, o tema da caminhada de Halloween é o orfanato abandonado da Murteira, onde os ecos do passado se recusam a desaparecer.
Há segredos que as freiras nunca revelaram, sussurros que ainda ecoam pelas paredes e pelo ranger das portas antigas. Quem passa por perto sente o ar pesado e frio, como se algo estivesse à espreita. Durante anos, o orfanato acolheu muitas crianças, mas as camas começaram a ficar vazias, uma a uma, sem explicação.
Tudo começou com Vitalina, a menina que nunca cresceu. Enquanto os outros mudavam e cresciam, ela permanecia igual, de cabelo despenteado, vestido branco sempre imaculado, olhos hipnotizados pela luz da televisão. As freiras diziam que uma assombração a seguia, impedindo o tempo de a tocar. As crianças evitavam-na, mas juravam ouvir os seus passos durante a noite. E, na manhã seguinte… outra cama vazia.
Ao longo dos corredores do orfanato, ainda vagueiam outros espectros:
- Eurico “Favolas”, que arrancou os próprios dentes e os usou como memorial;
- Olívia “Bexigosa”, que chora pelos seus pequenos bichos;
- Celestino “Tartaruga”, que procura a sua cabeça pelos corredores;
- Os Irmãos Saraiva, traquinas engenhosos cujas armadilhas ecoam na noite;
- Ti-Ti-bééééério “o Gago”, cujo amor frustrado se tornou fatal;
- Irmã Ludovina, a freira cruel e deformada, que ainda inflige terror;
- Padre Olegário, obcecado pelo vinho e pelo sangue;
- Amélia “Bonecas”, a silenciosa costureira de bonecas humanas;
- Amílcar “Esfregona”, que rasteja pelos corredores, varrendo à procura de luz e atenção.
Na noite de Halloween, o vento pelas frestas do orfanato traz o sussurro de uma voz infantil, repetindo sempre a mesma frase: "Fica aqui comigo… para sempre."
Este ano, mais do que nunca, o Halloween da Murteira é uma experiência coletiva: um mergulho no passado sombrio do orfanato, com histórias que nunca morrem e sombras que caminham entre nós. Mas cuidado… apenas quem ousa entrar descobrirá se consegue sair.









