A semana de trabalho de quatro dias pode mesmo ser o futuro e não é apenas conversa de corredor. Segundo um novo ensaio realizado no Reino Unido, citado pela CNN, uma rotina mais curta revelou-se positiva tanto para os trabalhadores como para as empresas. A experiência decorreu durante seis meses, entre novembro e abril do ano passado, e envolveu cerca de mil trabalhadores de 17 empresas e organizações que mantiveram o salário e a carga de trabalho mas ganharam um dia extra de descanso.
O mais curioso? Todas as 17 entidades decidiram manter a semana mais curta mesmo depois do período experimental, segundo a 4 Day Week Foundation, responsável pelo estudo.
Resultados inesperados (pelo lado positivo)
Não foram apenas os trabalhadores a sair mais felizes.
Algumas empresas registaram aumento de receitas e menos dias de baixa, quando comparado com o mesmo período do ano anterior.
Um caso que saltou à vista foi o da BrandPipe, uma empresa de software de Londres, que viu as receitas dispararem quase 130%.
Das quatro empresas que partilharam dados financeiros, três aumentaram receitas durante o ensaio. Também no que toca às baixas por doença e acidentes de trabalho, quatro organizações viram os números cair.
Os autores do relatório avisam, no entanto, que estes dados devem ser lidos com cautela: a amostra é limitada e os resultados são “puramente descritivos”.
Não foram só empresas - houve instituições sociais também
Entre as 17 entidades participantes estavam instituições de caridade, ONGs e organizações voluntárias.
A maioria optou pela tradicional semana de quatro dias, enquanto cinco testaram um modelo diferente: quinzena de nove dias (ou seja, um dia livre a cada duas semanas).
Mas há críticas... Nem toda as pessoas estão convencidas.
Michael Sanders, professor do King’s College London, lembra que estes ensaios sofrem de "autosseleção": as empresas que participam já são, por natureza, aquelas que abraçariam a ideia com entusiasmo. Ou seja, não é claro que funcione com qualquer empresa, independentemente da cultura da mesma. A verdade é que há chefias menos abertas à mudança e isso por si só pode ser um entrave ao sucesso de ideias como esta, da semana de quatro dias de trabalho.
Será mesmo o futuro do trabalho?
Para alguns participantes, a resposta é claramente "sim".
Alan Brunt, diretor-executivo da Bron Afon Community Housing, no País de Gales, acredita que a maioria das organizações poderá adotar o modelo nos próximos 10 anos.