Fala-se muito da magia do Natal, mas pouco sobre uma das partes realmente interessantes: o caos, porque o Natal (também) são luzes, músicas e anúncios com famílias perfeitas e enredos dignos de série, tradições que ninguém sabe quem inventou (outras, claro, que sabemos!) e momentos que nunca aparecem nos filmes… mas deviam.


O espírito natalício começa, quando alguém vê o preço do bacalhau
De repente, todo o brilho das luzes parece desvanecer-se. O Natal pode ser mágico, mas também é aquele momento anual em que todos repensam a vida ao ver a etiqueta do supermercado. O espírito? Continua lá… só está a suar um bocadinho. Já para não falar que a pessoa que organiza a ceia de Natal tem um trabalho acrescido. Desde organizar a casa, decorar a mesa, preparar a ceia e depois no fim... arrumar tudo.

• Fazer a árvore de Natal é divertido... até chegar às luzes
Todos começam entusiasmados, tipo anúncio de televisão. Cinco minutos depois, está toda a gente a lutar com um fio de luzes que ninguém sabe como é que se enrolou tanto. E há sempre uma lâmpada que não acende, só para testar a paciência.

• A estrela da árvore fica torta - sempre
Pode ser pousada com amor, equilibrada com técnica ou até colada com fita cola. Não interessa: ela vai inclinar-se. E todos fingem que está direita, porque ninguém tem energia para discutir mais esse detalhe.

• Há sempre um tio que diz "não vou exagerar na comida" - e exagera
É quase um ritual. Ele anuncia a decisão com convicção e meia hora depois está a repetir o prato “só para não sobrar”. É o mesmo tio que, inevitavelmente, adormece no sofá.

• O verdadeiro triatlo do Natal: comprar, embrulhar e explicar presentes
Comprar é stressante, embrulhar é um pesadelo e explicar "achei que ias gostar" é a etapa final do percurso. No fim, toda a gente percebe que ninguém está preparado para ser criativo sob pressão. E, sim, aquele gel de banho não é o presente ideal.

• No amigo secreto, há sempre alguém que dá um vale

É aquela pessoa que tenta justificar: "Queria que fosses escolher algo que adorasses!". Todos sabem que é mentira. Foi esquecimento. Ou desespero. Ou ambos.


• As discussões clássicas aparecem sempre

Basta alguém perguntar inocentemente: "Então e o futebol?". Pronto. Acabou a paz. Futebol, política, contas antigas e quem ficou de trazer o quê, tudo volta à mesa com a mesma força de sempre.

• As sobremesas do Natal anulam qualquer limite humano
Mesmo quem diz "estou cheio" transforma-se quando vê rabanadas, sonhos ou bolo-rei. O corpo entra num modo especial que só existe a 24 e 25 de dezembro: o modo sobremesa infinita.

• O dia 26 é subestimado
Não se dá o devido valor a este dia, o pós do caos natalício, em que tens finalmente a casa arrumada, reina a paz e podes descansar - se tirares o dia - de dias atarefados. É que receber familiares que não vês há um ano, com muitas perguntas para fazer, é extenuante.

• Comer rabanadas ao pequeno-almoço deixa de ser estranho
Não é gula, é tradição. É quase falta de respeito NÃO comer rabanadas de manhã nesta altura. Há regras culturais e esta é uma delas. Aliás, no Natal não há bem horários para comer o quê. Bolo-rei às 8h? Porque não?


• O Natal perfeito dos filmes não existe - e ainda bem
Nada é tão alinhado como nos filmes: há barulho, confusão, discussões e comida a mais. E é isso que torna o Natal tão bom: é real, caótico e cheio de histórias para rir o resto do ano.

No fim, o Natal é isto: uma mistura deliciosa entre confusão, comida a mais, conversas que ninguém pediu e lembranças que dão sempre para rir. Não é perfeito - e ainda bem. Se fosse igual aos filmes, não tinha metade da graça. Porque no Natal verdadeiro há tios barulhentos, estrelas tortas... e histórias que valem ouro.