Hoje em dia, há cada vez mais pessoas a sentir que "fizeram tudo bem" e, mesmo assim, não passam da fase do "Obrigado pela candidatura". Segundo Jason Walker, que analisou esta realidade no "The Conversation", o problema não está apenas nos candidatos, está no próprio sistema de contratação, que mudou silenciosamente.
Fizeste tudo o que te disseram e mesmo assim nada acontece
Tens formação, investiste tempo a melhorar o CV, escreveste cartas personalizadas, fizeste cursos, aprendeste ferramentas novas e até trataste do teu perfil no LinkedIn. Em teoria, fizeste o percurso perfeito. Na prática? As entrevistas não aparecem e parece que o teu CV desaparece num buraco negro.
As vagas "de entrada" deixaram de ser de entrada
Walker explica que muitos empregos que antes serviam para começar carreira agora exigem anos de experiência ou qualificações exageradas. Aquilo que antes era um primeiro passo tornou-se, de repente, uma corrida com obstáculos impossíveis.
Nos EUA, Canadá e Reino Unido - e a tendência estende-se ao resto do mundo - grande parte das empresas já usa sistemas automáticos para filtrar candidatos. Muitas candidaturas são eliminadas antes mesmo de alguém as ler. É por isso que tantos recrutadores dizem "não encontramos talento", quando na verdade o talento nunca chega aos olhos de ninguém.
O mercado parece saudável, mas a experiência real é outra
Walker sublinha esta contradição: as estatísticas pintam um mercado cheio de oportunidades, mas quem procura emprego sente exatamente o oposto: frustração, silêncios e exigências que não batem certo com o salário ou com a realidade.
Há estratégias que funcionam
Apesar do cenário desafiante, existem formas de recuperar controlo: ajustar o CV para passar pelas máquinas, procurar empresas que ainda investem em formação, criar ligações reais com recrutadores e apostar em candidaturas mais direcionadas e menos massivas. Walker destaca que muitas pessoas têm conseguido resultados quando deixam de "disparar para todo o lado" e começam a ter uma estratégia mais afinada.
Começa a trabalhar nesse networking e a enviar candidaturas personalizadas: é melhor do que enviar 100 emails num dia.