Em algumas casas, na ceia de Natal, a estrela é o bacalhau, ou peru, noutras é o polvo. Só que muitas vezes há quem acabe desiludido quando, ao levar o polvo à boca, acaba a sentir uma terrível textura de borracha.


Cozer polvo continua a ser, para muita gente, uma daquelas missões que vêm sempre acompanhadas de dúvidas, mitos e algum receio. Mas uma recente publicação da Flavors by Alessandra no Instagram vem provar que o processo pode ser bem mais simples e infalível do que parece, mesmo a tempo da mesa de Natal.


O primeiro truque começa logo na escolha do polvo: inteiro, fresco ou congelado. Curiosamente, o polvo congelado tende a ficar mais tenro, o que desmonta a ideia de que só o peixe acabado de chegar da lota é que resulta. Normalmente já vem limpo, bastando passar por água e retirar o bico, escondido na parte inferior.

Depois, nada de complicações. O polvo vai para uma panela grande, coberto apenas com a quantidade de água necessária. Aqui entra um detalhe que faz a diferença: aromatizar. Folhas de louro, cascas de limão ou grãos de pimenta são suficientes para dar profundidade ao sabor sem roubar protagonismo ao polvo.

O segredo maior está no tempo e na temperatura. A água deve levantar fervura e, de seguida, baixar para lume brando. Tapar e deixar cozinhar lentamente entre 45 minutos a uma hora. Sem pressas. É este "baixo e lento" que garante uma textura macia, daquelas que se desfazem à faca. O teste é simples: se a parte mais grossa do tentáculo se deixa atravessar facilmente, está pronto.

Depois de arrefecer ligeiramente, é só separar os tentáculos e cortar a cabeça em pedaços. A partir daqui, o polvo está pronto para tudo: grelhar, saltear, fritar ou servir simples, talvez numa salada com batata e azeite generoso.

No fundo, o truque não está em ingredientes secretos, nem em rituais estranhos. Está na calma, no respeito pelo tempo e na ideia de que o polvo, afinal, não é assim tão intimidante. Uma boa notícia para quem quer impressionar neste Natal sem stress desnecessário.



O que podes levar daqui?

- É melhor comprar polvo fresco ou congelado?

Ambos resultam bem, mas o polvo congelado costuma ficar mais tenro, porque o processo de congelação ajuda a quebrar as fibras. Além disso, é mais prático e consistente no resultado.

- O polvo precisa de ser batido antes de ir ao lume?
Não. Esse é um mito antigo. Cozinhado lentamente e à temperatura certa, o polvo fica macio sem qualquer tratamento prévio.

- Devo cozer o polvo com ou sem sal?
O ideal é não adicionar sal durante a cozedura. O polvo já é naturalmente salgado e o sal pode deixá-lo mais rijo. Ajusta-se o tempero no final.

- É preciso tapar a panela enquanto coze?
Sim. Manter a panela tapada ajuda a conservar o vapor e garante uma cozedura mais uniforme e controlada.

- Quanto tempo deve cozer o polvo?
Entre 45 minutos e 1 hora, em lume brando, depois de levantar fervura. O tempo exato depende do tamanho do polvo.

- Como saber se o polvo está no ponto certo?
Espeta-se uma faca na parte mais grossa do tentáculo. Se entrar facilmente, o polvo está pronto.

- Posso aromatizar a água da cozedura?
Sim. Louro, casca de limão ou grãos de pimenta são ótimas opções para dar sabor sem mascarar o polvo.

- O que fazer depois de o polvo estar cozido?
Deixa-se arrefecer ligeiramente, cortam-se os tentáculos e a cabeça, e a partir daí pode ser grelhado, salteado, frito ou usado em saladas.

- Posso cozer o polvo com antecedência para o Natal?
Pode e deve. O polvo pode ser cozido no dia anterior e guardado no frigorífico, facilitando a preparação final no próprio dia.

- Porque é que o lume deve ser baixo?
A cozedura lenta é o segredo para um polvo macio. Temperaturas altas tornam a carne dura e menos suculenta.