Se pensavas que o teu telemóvel era só para memes e chats de grupo, desengana-te: em Espanha, um tribunal decidiu que as empresas podem usar a geolocalização nos telemóveis corporativos para saber se estás mesmo a trabalhar ou se estás confortavelmente no sofá a ver séries.
O caso envolve um técnico de manutenção de elevadores que registava entradas e saídas através de uma app no telemóvel da empresa. Tudo corria dentro da normalidade até que a empresa começou a notar irregularidades: o trabalhador registava entradas e saídas a partir de casa durante o horário laboral, sem se deslocar aos locais de intervenção.
Após várias advertências, os comportamentos continuaram e a empresa decidiu avançar para o despedimento disciplinar, sem indemnização, mas com direito a subsídio de desemprego.
O Tribunal Superior de Justiça das Astúrias (TSJA), segundo o jornal "El Confidencial", confirmou que a geolocalização foi usada de forma proporcional e legal. A aplicação só registava a localização durante o processo de registo, e o trabalhador tinha conhecimento do seu funcionamento. Em termos legais, a decisão assenta nos artigos 20.3 e 34.5 do Estatuto dos Trabalhadores, que permitem às empresas adotar medidas de supervisão para garantir o cumprimento das obrigações laborais, desde que proporcionais à natureza do trabalho.
A legislação espanhola também exige transparência: a empresa deve informar claramente sobre a utilização de sistemas de geolocalização, os seus objetivos, o alcance do tratamento de dados e os direitos dos trabalhadores. A única exceção acontece em empresas totalmente descentralizadas, onde trabalhar a partir de casa pode ser considerado válido como ponto de início do turno.
O veredicto deixa uma mensagem clara: o telemóvel corporativo não é apenas um instrumento de trabalho, mas também um fiscal silencioso que regista cada movimento. Moral da história: antes de pensar que o sofá de casa é um refúgio seguro, lembra-te que a tecnologia está de olho e pode mesmo ditar o fim do teu contrato.