Nos anos 20, a procrastinação já era um problema.

Ao longo da história, já afastou inúmeros potenciais génios daquilo que realmente precisavam de fazer, levando-os a perder tempo com tudo menos o trabalho. Atualmente, recorremos a playlists de concentração ou apagamos aplicações do telemóvel para evitar distrações. Mas em 1925, a solução encontrada foi bem mais radical.


Nesse ano, a revista Science and Invention apresentou o Isolator, um capacete anti-distrações criado para garantir foco absoluto. A premissa era simples: mesmo em casa, um escritor não estava imune a ruídos capazes de interromper o raciocínio e matar uma boa ideia. A resposta foi um capacete isolador de som que, visualmente, fazia lembrar um balde colocado na cabeça.

O primeiro modelo do Isolator era feito de madeira, revestido a cortiça por dentro e por fora, e coberto com feltro. Tinha três pequenos vidros à frente para permitir a visão e um sistema junto à boca que deixava respirar, ao mesmo tempo que bloqueava o som. Segundo a revista, este protótipo conseguia eliminar cerca de 75% do ruído ambiente, um resultado considerado bastante positivo para a época.

Para melhorar o isolamento sonoro, os criadores adicionaram um espaço de ar no interior do capacete, aumentando a eficácia para cerca de 90 a 95% de bloqueio de som. No entanto, surgiu um efeito inesperado: após cerca de 15 minutos de utilização, os utilizadores ficavam sonolentos, provavelmente devido à falta de oxigénio.

A solução? Um pequeno depósito de oxigénio acoplado ao capacete, pensado para estimular a respiração e manter o utilizador alerta. O artigo garantia que este ajuste tornava o utilizador mais desperto e produtivo. Hoje, sabe-se que a gestão do oxigénio é bem mais complexa: sem um sistema adequado para eliminar o dióxido de carbono, este acumula-se no organismo e pode tornar-se perigoso.

Além do isolamento sonoro, o Isolator também eliminava distrações visuais. As janelas à frente dos olhos eram pintadas de preto, com apenas duas linhas horizontais gravadas no vidro, criando um efeito de visão em túnel. O objetivo era simples: impedir que qualquer estímulo visual, desde movimentos ao redor até pequenos detalhes do ambiente, desviasse a atenção.

Apesar da intenção engenhosa, o Isolator acabou por se tornar um exemplo curioso de como a obsessão pela produtividade pode ir longe demais. Entre capacetes herméticos, falta de oxigénio e um design pouco prático, a invenção ficou para a história como uma das soluções mais estranhas já criadas contra a procrastinação.

Hoje, felizmente, basta carregar no play de uma boa playlist de foco.