Agosto é o mês mais disputado do calendário laboral em Portugal. É quando o país abranda, as famílias se juntam, as escolas fecham e milhares de trabalhadores tentam marcar férias ao mesmo tempo.

O problema? Nem todos podem ir.

Todos os verões, repete-se o mesmo cenário: pedidos sobrepostos, agendas cheias e negociações de corredor para trocar semanas. Mas quando não há consenso entre trabalhador e empresa, surge a grande questão: quem tem a última palavra?

Quando não há acordo, quem decide é a empresa (mas com limites)


Na maioria das empresas (pequenas, médias e grandes), o empregador só pode marcar férias entre 1 de maio e 31 de outubro, depois de ouvir os representantes dos trabalhadores, se existirem.

Há exceções:

  • Microempresas (até 9 trabalhadores) não estão obrigadas a este limite;
  • No setor do turismo, apenas 25% das férias têm de ser marcadas neste período;
  • Contratos coletivos podem alterar algumas regras.


Mas há um ponto essencial que muita gente desconhece e que pesa especialmente quando todos querem agosto.


Os últimos dois anos contam (e muito)

A lei prevê que os períodos mais concorridos sejam distribuídos de forma justa.

Como explica o Jornal de Negócios, os meses mais desejados devem ser rateados, sempre que possível, beneficiando alternadamente os trabalhadores em função dos períodos gozados nos dois anos anteriores.

Ou seja: se uma pessoa já trabalhou em agosto nos últimos dois anos, deve ter prioridade agora e não ser sempre a mesma a "perder" o mês de verão.


Casais têm proteção

A lei também protege quem trabalha na mesma empresa e vive junto.

Cônjuges, pessoas em união de facto ou em economia comum têm direito a tirar férias no mesmo período, salvo se isso causar prejuízo grave à empresa (por exemplo, se forem os únicos funcionários de um pequeno negócio).


A empresa pode até impor férias

Em certos casos, o empregador pode encerrar a empresa para férias até 15 dias consecutivos entre maio e outubro, mesmo contra a vontade dos trabalhadores.

Desde que cumpra a lei, é permitido.


Resumindo - se não há acordo para agosto:

- A empresa decide
- Tem de respeitar os períodos dos últimos dois anos
- Deve garantir alguma rotatividade
- Casais têm direito a férias juntos


No mês mais desejado do ano, não vale só pedir primeiro, vale conhecer as regras.