A tempestade Kristin atravessou Portugal como um comboio desgovernado em plena madrugada, deixando um rasto de ventos violentos, árvores no chão, casas danificadas e centenas de milhares de pessoas às escuras. A Região Centro foi o principal palco desta fúria da natureza, depois da depressão ter entrado pelo litoral de Leiria e avançado rapidamente para o interior do país.


Entre a noite e o início da manhã, o vento atingiu valores impressionantes. No Cabo Carvoeiro, as rajadas chegaram aos 150 km/h, enquanto em zonas como Ansião e no aeródromo de Leiria os registos ultrapassaram os 140 km/h. Também o Algarve sentiu a força da tempestade, sobretudo nas serras, onde o vento continuou intenso mesmo quando o pior já parecia ter passado noutras regiões.

Apesar de a depressão já estar a afastar-se para Espanha, os seus efeitos ainda se fizeram sentir nos distritos mais interiores, como Castelo Branco e Guarda, com vento forte e instabilidade durante várias horas. Ao longo da manhã, a situação começou gradualmente a acalmar.

Segundo a CNN Portugal, a rede elétrica sofreu danos em larga escala e chegou a haver perto de um milhão de clientes sem energia. Mesmo depois do pico da tempestade, mais de 850 mil continuavam às escuras, sobretudo em distritos como Leiria, Coimbra, Guarda, Santarém e Setúbal.

A Proteção Civil registou centenas de ocorrências em poucas horas, a maioria relacionadas com quedas de árvores, estruturas arrancadas pelo vento e estradas bloqueadas. Leiria foi um dos distritos mais afetados, com danos significativos em edifícios e infraestruturas, mas Lisboa, a Península de Setúbal e a região Oeste também concentraram um elevado número de situações de emergência.