Sempre que o telemóvel toca com um número estranho, a reação mais comum é rejeitar a chamada de imediato. Parece a atitude certa, mas a verdade é que, para muitos sistemas de chamadas de spam, desligar pode ser quase tão útil como atender.
Grande parte destas redes de burlões usa sistemas automáticos que ligam para números aleatórios. O objetivo não é falar logo com alguém, mas sim perceber que números estão ativos. Quando uma chamada é atendida, ou rejeitada manualmente, o sistema regista que aquele número pertence a uma pessoa real, normalmente um telemóvel, que é muito mais valioso do que um telefone fixo ou um número inativo.
A partir daí, esse contacto pode passar a integrar bases de dados usadas para chamadas futuras mais insistentes ou até ser vendido a outros esquemas de fraude, desde falsas dívidas às clássicas burlas de entregas ou serviços.
Responder STOP não é solução
O mesmo acontece com mensagens suspeitas. Responder "STOP" ou qualquer outra palavra não bloqueia automaticamente o problema, pelo contrário, confirma que o número existe e que alguém lê as mensagens. Para os sistemas automáticos, isso é um sinal verde para continuar.
O que deves fazer
A abordagem mais segura é surpreendentemente simples: deixar chamadas de números desconhecidos tocar até terminar e apagar mensagens de spam sem responder. Só depois deve bloquear-se o número ou marcá-lo como spam. Assim, não é fornecida qualquer informação útil aos algoritmos que alimentam estas redes.
Há ainda outro pormenor curioso: muitos burlões conseguem falsificar números de telefone, fazendo com que pareçam locais ou semelhantes ao teu próprio contacto. Isto acontece porque os dados mostram que as pessoas tendem a atender mais facilmente quando o número parece familiar.
Em resumo, atender é arriscado, rejeitar também pode ser, mas ignorar continua a ser a opção mais eficaz. Quanto menos interação existir, menor é o valor do número para quem vive de chamadas e mensagens fraudulentas.










