O essencial:

De forma geral, a ciência indica que viver com animais de estimação durante a infância não tem, por si só, um impacto direto e consistente na saúde mental. Os efeitos variam consoante o tipo de animal, a regularidade da convivência e o contexto familiar.


Animais e desenvolvimento emocional: o que está em causa

Durante a infância, os vínculos afetivos são fundamentais para o equilíbrio emocional. Para além da relação com os pais ou cuidadores, os animais podem desempenhar um papel complementar neste processo, ao promoverem rotinas, contacto físico e interação constante.


Investigadores apontam que a convivência com animais pode ajudar as crianças a lidar melhor com emoções como a ansiedade ou a frustração, a desenvolver empatia e sentido de responsabilidade, a melhorar competências sociais, a interpretar sinais não verbais e a sentirem conforto em momentos de transição ou de ausência dos pais.


Mas será que estes benefícios se refletem, de forma clara, na saúde mental?

Um estudo de acompanhamento realizado com milhares de crianças, desde a gravidez até aos primeiros anos de vida, analisou a relação entre a presença de animais de estimação e problemas emocionais ou comportamentais. De acordo com o 'The Conversation', os resultados mostraram que:

  • Não existem diferenças significativas na saúde mental entre crianças que nunca tiveram animais e aquelas que sempre viveram com eles.
  • A exposição ocasional a animais não parece trazer benefícios adicionais.
  • O impacto varia consoante o tipo de animal e a regularidade do contacto.


Os investigadores observaram padrões distintos de acordo com o animal presente em casa:

  • Cães e aves: não foram associados nem a benefícios claros nem a prejuízos emocionais.
  • Gatos: em algumas idades, surgiram associações com maiores dificuldades emocionais, embora sem conclusões definitivas.
  • Pequenos animais: peixes, hamsters, coelhos ou tartarugas mostraram um possível efeito protetor quando presentes de forma contínua.


Os especialistas sublinham que, nos primeiros anos de vida, o vínculo emocional ainda está em construção. Animais mais independentes podem não gerar o mesmo tipo de ligação afetiva. Além disso, fatores como o ambiente familiar, o estilo parental e as necessidades emocionais da criança têm um peso maior do que a simples presença de um animal.


Ter um animal de estimação pode reforçar aprendizagens emocionais, como a empatia e o sentido de responsabilidade, mas não substitui acompanhamento emocional, atenção dos adultos ou um ambiente seguro.


Pontos a reter:

  • Ter um animal de estimação não garante um impacto significativo na saúde emocional.
  • O efeito varia consoante o tipo de animal e a continuidade da convivência.
  • Pequenos animais podem ter um impacto positivo quando fazem parte da rotina.
  • O ambiente familiar é o fator mais determinante.
  • Animais são um complemento, não uma solução emocional.