O essencial:

Embora não seja possível evitar totalmente as cheias e inundações, os seus impactos podem ser reduzidos através da adoção de medidas preventivas e de comportamentos de autoproteção. A limpeza das linhas de água, a preparação das habitações, a atenção aos avisos meteorológicos e o cumprimento das orientações da Proteção Civil são fatores determinantes para a segurança das populações e para a proteção de bens e infraestruturas.


Medidas preventivas para cheias e inundações

Na sequência da depressão Leonardo, as chuvas intensas afetaram várias regiões de Portugal continental, com destaque para a acumulação de água em zonas ribeirinhas. Em locais como Alcácer do Sal, a subida rápida do caudal obrigou à retirada de moradores. Outras localidades, incluindo Leiria e Portalegre, também registaram inundações e diversas ocorrências associadas ao mau tempo.


A Embaixada do Japão em Portugal, país com vasta experiência na gestão de desastres naturais, divulgou no Facebook um conjunto de recomendações práticas para situações de cheias e inundações:


Uma das orientações diz respeito ao calçado: apesar de parecerem adequadas, as galochas não são recomendadas, pois, ao encherem-se de água, tornam-se pesadas e dificultam a mobilidade. A opção mais segura é usar sapatilhas bem ajustadas, que oferecem maior estabilidade e agilidade.


Existe ainda uma regra fundamental relacionada com a altura da água. Se esta atingir o nível do joelho, deve proceder-se de imediato à evacuação, uma vez que a força da corrente dificulta seriamente a deslocação a pé. Caso a água suba rapidamente e não seja possível sair em segurança, a recomendação é procurar refúgio no piso mais elevado da habitação, recorrendo à chamada evacuação vertical.


Se for absolutamente necessário atravessar uma zona inundada, deve utilizar-se um objeto longo, como um cabo de vassoura ou um guarda-chuva, para sondar o terreno à frente. As cheias podem deslocar tampas de esgoto e criar buracos invisíveis sob a água turva, representando um risco elevado.


Para os condutores, o alerta é claro: nunca atravessar estradas inundadas. Bastam cerca de 30 centímetros de água em movimento para arrastar a maioria dos automóveis.


Estas medidas preventivas vão ao encontro das recomendações divulgadas pela Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC), que sublinha a importância da adoção de medidas destinadas a reduzir a probabilidade e o impacto das cheias. Uma das principais ações passa pela manutenção das infraestruturas hidráulicas, nomeadamente:

  • Garantir que as linhas de água e valetas se encontram limpas e desobstruídas, sobretudo em zonas próximas de casas ou estradas, facilitando o escoamento das águas pluviais.
  • Limpar regularmente sarjetas, evitando entupimentos que possam provocar a acumulação de água em meio urbano.


Se estiveres numa zona com risco de cheias, é importante preparar um kit de emergência com documentos essenciais guardados num saco impermeável, água potável, alimentos não perecíveis e primeiros socorros. Além disso, deves manter-te atualizado sobre riscos e alertas meteorológicos emitidos pelo Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) e pela Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC).


De acordo com um documento da Proteção Civil da Figueira da Foz, divulgado pela Câmara Municipal da Figueira da Foz, recomenda-se ainda que a população:

  • Evite atravessar zonas inundadas, a pé ou de veículo, uma vez que a força da água é frequentemente subestimada.
  • Retire bens para locais mais altos.
  • Salvaguarde animais domésticos e gado, conduzindo-os para zonas seguras.
  • Cumpra rigorosamente as indicações das autoridades.


Para mais recomendações sobre comportamentos seguros e medidas a adotar após episódios de mau tempo, como a tempestade Kristin, lê este texto!


Pontos a reter:

  • A limpeza dos sistemas de drenagem e a preparação de um plano de emergência doméstico reduzem riscos.
  • Durante uma cheia, evita zonas com água corrente, desloca bens para locais seguros e acompanha os avisos oficiais.
  • O uso de galochas não é recomendado em zonas inundadas.
  • Se a água atingir o nível do joelho, deve evacuar-se de imediato.
  • Se for mesmo necessário atravessar a água, utiliza um objeto longo para sondar o caminho.