As burlas telefónicas continuam a fazer milhares de vítimas, sobretudo entre a população mais velha. Mas uma nova aplicação criada por uma jovem portuguesa pode estar prestes a mudar esse cenário e chamou a atenção da Europa.
Rita Barbosa tem 24 anos e venceu um dos maiores eventos internacionais de programação com inteligência artificial, realizado na Alemanha, ao desenvolver uma aplicação capaz de detetar tentativas de burla em apenas dois segundos. O sistema analisa chamadas e mensagens em tempo real e, sempre que identifica um contacto fraudulento, interrompe automaticamente a comunicação, sem exigir qualquer ação do utilizador.
A aplicação chama-se "Guardião" e foi pensada para funcionar de forma quase invisível: depois de instalada, não há botões para carregar nem decisões para tomar. A tecnologia faz tudo sozinha.
Inteligência artificial que protege antes do estrago acontecer
O coração do sistema é um agente de inteligência artificial que avalia padrões típicos de fraude, seja em mensagens escritas ou em chamadas de voz. Em alguns casos, o agente "ouve" os primeiros segundos da chamada para confirmar se se trata de uma burla. Assim que a certeza é suficiente, a chamada é desligada de imediato.
Tudo acontece localmente no telemóvel, o que significa que nenhuma informação pessoal, conversa ou dado sensível sai do dispositivo, garantindo a privacidade do utilizador.
Uma ideia que nasceu em casa
A motivação por detrás do projeto é pessoal. Segundo escreve a agência Lusa, a ideia surgiu depois de a avó de Rita ter sido vítima de uma burla e ter perdido vários milhares de euros. O impacto não foi apenas financeiro: o medo levou-a a deixar de usar o telemóvel, receando novas tentativas de engano.
Foi a partir dessa realidade que nasceu o conceito do "Guardião". Em vez de exigir que os utilizadores, especialmente os mais velhos, aprendam a identificar esquemas cada vez mais sofisticados, a aplicação faz esse trabalho por eles.
Um prémio europeu e uma app prestes a chegar ao público
O projeto foi desenvolvido em apenas dois dias, o tempo limite imposto pelo maior hackathon europeu dedicado à inteligência artificial, que reuniu centenas de participantes de dezenas de países. O resultado valeu a Rita Barbosa o primeiro lugar e prémios avaliados em cerca de 70 mil dólares.
Licenciada em Engenharia Informática pela Universidade Nova de Lisboa e atualmente a frequentar um mestrado em Inteligência Artificial na Alemanha, a jovem engenheira prevê lançar a aplicação gratuitamente na Google Play Store no final de fevereiro.









