No último dia desta viagem por alguns dos concelhos mais afetados pelo mau tempo das últimas semanas, Ana Colaço dá conta do problema de mobilidade. Há estradas cortadas, a A1 está cortada, e assim deve ficar durante as próximas semanas, entre Coimbra Sul e Coimbra Norte, a linha ferroviária Lisboa - Porto está suspensa, tal como a ligação fluvial Seixal - Lisboa.
A meio da tarde, durante o Mundo Ideal, com a Inês Andrade e o Rodrigo Gomes, a Ana Colaço fez um balanço desta viagem que passou por Leiria, Parceiros, Monte Real, Vieira de Leiria, Praia de Leiria, Vila Franca de Xira, Ribeira de Santarém, Coruche, Torres Vedras, 2 Portos, Seixal, Sesimbra... Uma viagem onde a palavra mais ouvida foi "obrigada"
Esta 5ª feira, nesta viagem pelos concelhos mais afetados pelas tempestades das últimas semanas, a Ana Colaço foi até Torres Vedras.
Começou o dia bem cedo com o vice-presidente da Câmara Municipal de Torres Vedras, Diogo Guia que falou sobre tudo o que foi feito, com a antecipação possível e referiu que a falta de água em alguns pontos do concelho está ainda relacionada com os vários aluimentos de terras que destruiram, já por várias vezes, algumas condutas de água.
Segundo ainda Diogo Guia, por estes dias em Portugal Continental estamos a viver uma espécie de terramoto por episódios
Do centro de Torres Vedras, seguimos para Dois Portos, uma das freguesias mais fustigadas com a destruição de estradas. Uma delas foi onde a Ana Colaço esteve com a presidente da Junta de freguesia de Dois Portos Telma Mota, a estrada que liga o Outeiro do Zibreiro ao Sirol, que cortou a conduta de abastecimento de água à Central de Cervejas.
À tarde falou-se de solidariedade num dia que ficou marcado no terreno pelo aparecimento do sol ao final de tantos dias escondido. Há quem faça muitos kms para distribuir comida ou materiais de construção como o Nuno Evangelista e há quem ajude encontrando voluntários e organizando equipas para a plataforma SOSLeiria.pt, como a Cláudia Santos, da Delphio
A manhã de dia 11 de fevereiro começou com muito nevoeiro mas menos chuvosa em Vila Franca de Xira. Nos Bombeiros Voluntários os trabalhos aliviaram um pouco, com o regresso de várias equipas de Ourem e de Tomar. no entanto, a previsão de mais chuva e do aumento do caudal do rio Tejo fazem com que ninguém descanse.
Os avisos são de precaução máxima para todos, principalmente para quem anda nas estradas com mais buracos, com muitas poças e lençóis de água, e muitos sinais de trânsito e sinalética destruidos na sequência do mau tempo.
Com o alerta de subida do caudal do Tejo, a Ana Colaço seguiu para a Ribeira de Santarém onde, na verdade. a população já está habituada a ter água bem à porta de casa.
Não é só o Tejo que alaga terras e ruas, o Sorraia também está a transbordar e a provocar lençóis de água em várias estradas e a isolar algumas localidades.
Em Coruche há no entanto duas grandes armas para combater as cheias: a prevenção que se fez com a construção do dique há 18 anos e a comunicação de proximidade.
Dia 9 de fevereiro:
Quando não tens água, nem luz, nem redes há 12 dias descobres que o que importa são as pessoas. Quem te ajuda a levantar, quem te ajuda a reconstruir, quem aparece com boa vontade. É uma das lições do Pedro, nadador-salvador, da Carla e do Fernando do Restaurante O barrote, na Praia de Vieira de Leiria, uma das zonas mais devastadas pela força da tempestade Kristin no passado dia 28 de janeiro.
Ouve aqui o que disseram à RFM numa conversa no restaurante que já está a funcionar mas ainda a gerador
Quando a tempestade Kristin passa e te tira o telhado, a água e a luz, como é que pedes ajuda ou dizes que podes ajudar? Encontrei Flávio Fusuna. criador da plataforma SOSLeiria.pt que, mesmo offline, conseguiu já ajudar milhares de pessoas. E praticamente feita por agentes IA.
Ouve aqui a história que fala de pequenos agentes robots que tiveram a ideia e a colocaram em prática
Há um antes e um depois da passagem da tempestade Kristin pela vida de milhares de pessoas na noite de 27 para 28 de janeiro. Há ainda dezenas de regiões em estado de calamidade, mais de 60 mil pessoas sem luz, outros tantos milhares sem água e um número ainda incalculável de telhados para reconstruir e árvores por apanhar do chão. Há registo de 15 mortos e centenas de feridos.
Na Benedita, esta segunda-feira, 13 dias depois da passagem da Kristin, a Ana Colaço falou com Patrícia Santos, da Talica, uma das primeiras a tentar ajudar quem ficou sem quase nada depois da tempestade. Uma dessas pessoas foi o Sr. Luciano, que ficou sem comida nem abrigo para os seus 7 cavalos.
Já em Leiria, uma das cidades mais afetadas pela passagem de ventos de mais de 140km/h e chuvas intensas há já várias semanas, a Ana falou com a Bárbara, da Padrão Bê, que descobriu através da família que mora nas freguesias junto à cidade, o tamanho da devastação. Com 2 filhos, o Vicente de 10 anos e a Vitória de 6, Bárbara partilha que afinal, se se sentirem seguros, os miúdos até acham alguma piada à situação. Entre banhos em casa da avó, almoços criativos em casa e jantares em casa de amigos, há sempre maneira de se partilhar sorrisos.








