Se a ideia de passar vários dias na cama soa a prémio, talvez seja melhor leres até ao fim.


O Instituto de Medicina e Fisiologia Espacial (Medes), em Toulouse, França, está a recrutar dez voluntários para um estudo científico que pretende imitar os efeitos da ausência de gravidade no corpo humano. A compensação? 5000 euros.

O desafio não envolve foguetões nem viagens espaciais. Pelo contrário. Tudo acontece em solo firme. Durante 10 dias consecutivos, os participantes terão de permanecer deitados, numa posição ligeiramente inclinada, praticamente sem se levantarem.

O objetivo é perceber como o organismo reage quando deixa de sentir o "peso" habitual da gravidade. Em particular, os investigadores querem observar a forma como os fluidos corporais, como o sangue e a água, se redistribuem quando o corpo está em condições semelhantes às do espaço.

O estudo é realizado a pedido do Centro Nacional de Estudos Aeroespaciais francês (CNES). Muitas experiências são difíceis de executar durante missões espaciais reais, pelo que a alternativa passa por criar, em ambiente controlado, uma simulação o mais fiel possível.

Mas não é um convite aberto a todos. O instituto procura homens entre os 20 e os 40 anos, com boa saúde, prática regular de exercício físico e domínio da língua francesa.

Há ainda um detalhe que retira algum romantismo à ideia de "férias na cama": os voluntários terão uma ingestão calórica bastante reduzida, cerca de 250 calorias por dia.

Ficar deitado pode parecer simples. Mas quando a ciência entra na equação, até o descanso se transforma numa experiência exigente. E, neste caso, cada minuto imóvel ajuda a preparar o futuro das missões espaciais.