O essencial:

Com o avançar da idade, acumulamos menos experiências novas e mais rotinas repetidas. O cérebro tende a "agrupar" esses períodos semelhantes, fazendo com que, ao olhar para trás, o tempo pareça ter passado mais depressa.


A diferença entre viver e recordar

Especialistas distinguem duas dimensões da perceção temporal: o momento presente e a memória. No dia-a-dia, uma tarde pode parecer longa ou curta, consoante o que estamos a fazer. No entanto, é quando olhamos para trás, para um mês ou um ano, que surge a sensação de aceleração, de acordo com o site 'BuzzFeed'.


Para uma criança, um ano representa uma parte significativa da sua vida. Para um adulto mais velho, esse mesmo período corresponde a uma fração muito menor do total das experiências acumuladas.


Investigadores apontam ainda o papel da repetição. Quando os dias são semelhantes entre si, o cérebro armazena menos marcos distintos. "Quando olhas para trás, quanto menos rica for a tua perspetiva, mais vai parecer que o tempo passou depressa", afirma Cindy Lustig, professora de psicologia.


Já fases marcadas por mudanças, aprendizagens ou acontecimentos inesperados criam mais memórias diferenciadas. Ao serem revisitadas, dão a sensação de terem durado mais tempo. É por isso que a infância, repleta de estímulos e descobertas, tende a parecer mais extensa na memória do que períodos recentes da vida adulta.


Alguns estudos sugerem que o cérebro jovem processa um maior volume de estímulos novos, o que contribui para uma perceção temporal mais expandida. Com o passar dos anos, a familiaridade com o ambiente reduz essa intensidade.


A boa notícia é que a perceção pode ser influenciada. Introduzir novas atividades, quebrar rotinas ou aprender competências diferentes aumenta a diversidade de memórias e pode alterar a forma como o tempo é sentido.


Pontos a reter:

  • A perceção do tempo muda com a idade.
  • Rotinas repetitivas fazem os anos parecerem mais curtos quando recordados.
  • Experiências novas criam memórias mais densas e prolongam a sensação de duração.
  • A diferença entre viver o momento e recordá-lo influencia a forma como avaliamos o tempo.
  • Variar hábitos e aprender coisas novas pode ajudar a contrariar a sensação de aceleração.