O essencial:

A partir do verão de 2027, entra em vigor um limite máximo de 10 mil euros para pagamentos em dinheiro em transações comerciais na União Europeia, segundo o site Okdiario.


O que é que está mesmo em causa?

Nas redes sociais anda a circular a ideia de que a União Europeia vai proibir dinheiro físico acima de 10 mil euros. Não é verdade. O que muda é outra coisa: grandes pagamentos feitos em contexto comercial deixam de poder ser feitos exclusivamente em numerário.


A medida faz parte do Regulamento (UE) 2024/1624, segundo escreve o Polígrafo SIC, integrado no novo pacote europeu de combate ao branqueamento de capitais e financiamento do terrorismo. O objetivo é tornar mais difícil movimentar grandes quantias sem deixar rasto.


O que muda na prática?

Se quiseres pagar mais de 10 mil euros a uma empresa ou profissional, por exemplo um carro num stand, uma obra numa empresa ou um serviço profissional, já não poderás fazer o pagamento totalmente em dinheiro.


Será obrigatório recorrer a métodos com registo formal, como:

  • Transferência bancária.
  • Cartão.
  • Cheque nominativo.
  • Outros meios rastreáveis.


E entre particulares?

A regra europeia não proíbe pagamentos em numerário entre particulares, desde que não exista atividade profissional envolvida. Ou seja: vender uma mota usada ao vizinho por 12 mil euros continua, à partida, fora desta proibição europeia. Ainda assim, transportar grandes quantias em dinheiro continua a poder levantar questões de segurança ou de fiscalização.


E em Portugal?

Na prática, Portugal já tem regras mais apertadas. Segundo o Banco de Portugal, pagamentos em numerário iguais ou superiores a 3 mil euros já estão proibidos em muitas transações. Ou seja: o limite europeu de 10 mil euros acaba por ser mais permissivo do que a legislação portuguesa atualmente em vigor.


Então, porquê esta medida?

Segundo a Comissão Europeia e a Europol, o dinheiro físico continua a ser frequentemente utilizado em:

  • Branqueamento de capitais.
  • Financiamento de redes criminosas.
  • Economia paralela.
  • Evasão fiscal.


Não porque as notas sejam ilegais, mas porque pagamentos em dinheiro deixam menos rasto automático. A lógica da medida é esta: quanto maior o valor envolvido, maior deve ser a transparência.


Isto significa o fim do dinheiro físico?

Não. Notas e moedas continuam válidas para:

  • Compras do dia a dia.
  • Pagamentos abaixo do limite legal.
  • Transações privadas entre particulares.


O que desaparece é a possibilidade de fazer pagamentos comerciais muito elevados sem qualquer registo formal.


Há quem veja esta medida como:

  • Uma limitação da privacidade financeira.
  • Mais pressão para pagamentos digitais.
  • Um aumento do controlo do Estado.


Outros defendem que é uma ferramenta essencial no combate ao crime financeiro organizado.


O que podes levar daqui?

A União Europeia vai acabar com o dinheiro físico?

Não. O numerário continua legal.


Posso pagar 15 mil euros em dinheiro a uma empresa em 2028?

Não. Acima dos 10 mil euros será obrigatório usar meios de pagamento rastreáveis.


Entre particulares continua a ser permitido?

Em regra, sim, desde que não exista atividade comercial ou profissional.


Portugal já tem limites?

Sim. O teto nacional é atualmente mais baixo: 3 mil euros.


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