Durante anos, o queijo foi muitas vezes colocado na lista dos “alimentos a evitar”. Mas um novo estudo vem baralhar essa ideia e pode mudar a forma como olhamos para os laticínios.
De acordo com uma investigação publicada na revista científica Neurology, consumir queijo e natas com maior teor de gordura pode estar associado a um menor risco de desenvolver demência.
O que diz o estudo?
Os investigadores acompanharam mais de 27 mil adultos, com uma média de 58 anos, ao longo de cerca de 25 anos. Durante esse período, mais de 3 mil pessoas desenvolveram demência, o que permitiu comparar hábitos alimentares e possíveis ligações à saúde cerebral.
Os resultados destacam alguns padrões:
- Quem consumia mais queijo gordo (cerca de 50g por dia) apresentava um risco 13% mais baixo de demência;
- O consumo diário de natas (20g ou mais) estava associado a um risco 16% inferior;
- Já produtos magros ou outros laticínios (como leite, iogurte ou manteiga) não mostraram o mesmo efeito.
Curiosamente, a redução foi ainda mais evidente em casos de demência vascular.
Nem tudo é assim tão simples
Apesar dos resultados, há um ponto essencial: este estudo mostra uma associação, não uma relação direta de causa e efeito. Ou seja, não significa que comer queijo vá, por si só, prevenir demência.
A própria autora do estudo, Emily Sonestedt, da Universidade de Lund (Suécia), sublinha que estes dados desafiam ideias antigas sobre gordura e saúde cerebral, mas precisam de mais investigação para serem confirmados.
Então… vale a pena mudar a alimentação?
Para já, os especialistas recomendam equilíbrio.
Algumas notas importantes:
- As quantidades analisadas não são exageradas (cerca de duas fatias de queijo por dia);
- A qualidade conta: alimentos naturais são preferíveis a opções ultraprocessadas;
- O estilo de vida continua a ser determinante: sono, exercício e vida social têm um impacto real no cérebro.
Resumindo: o queijo pode não ser o "vilão" que durante anos se pensou, mas também não é uma solução milagrosa. A ciência ainda está a tentar perceber até que ponto aquilo que comemos pode, de facto, proteger o cérebro a longo prazo.









