As fotografias captadas por Alfredo Cunha, no dia 25 de Abril de 1974, tornaram-se algumas das mais emblemáticas da história contemporânea portuguesa, mas nem todas tiveram reconhecimento imediato. O retrato de Salgueiro Maia, por exemplo, ficou 20 anos sem ser publicado.


Alfredo Cunha: "O dia 25 de Abril para mim foi o dia perfeito"

É assim que Alfredo Cunha, um dos fotógrafos mais emblemáticos da Revolução, resume um dos dias mais importantes da história de Portugal. Em 1974, tinha apenas 20 anos e trabalhava como fotojornalista no jornal "O Século". Saiu de casa com duas máquinas Nikon e cerca de 40 rolos fotográficos, sem imaginar que iria registar acontecimentos que marcariam o país para sempre.

Segundo o próprio, nunca sentiu medo naquele dia. Pelo contrário, descreve-o como um momento surpreendentemente controlado no meio do caos aparente. Foi a sua mãe, ao ouvir notícias na rádio, que o alertou, levando-o a correr para o jornal e de lá, diretamente, para o terreno.

A fotografia quase "perdida" de Salgueiro Maia

Entre as imagens mais icónicas do 25 de Abril está o retrato de Salgueiro Maia, que quase não chegou a ser captado. Alfredo Cunha recorda que, quando chegou a uma conferência de imprensa no Carmo, o momento já estava a terminar.
"Salgueiro Maia olhou para mim, percebeu que eu tinha chegado atrasado, e deu-me tempo para fazer a fotografia", contou o fotógrafo.
Na altura, a imagem não foi publicada. Só 20 anos mais tarde ganharia protagonismo, sendo destacada na primeira página do Público durante a celebração dos 20 anos da Revolução. "A conferência de imprensa já tinha acabado e, por isso, essa fotografia era um não acontecimento. E na altura Salgueiro Maia era desconhecido. Vinte anos depois, ele já tinha morrido e já era uma lenda."


Um dia único na história

Para Alfredo Cunha, o 25 de Abril não é apenas um marco político, mas um momento de transformação profunda. O fotógrafo descreve-o como um "dia perfeito".


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