O essencial:
A Finlândia, a Alemanha e a Suécia são os países europeus com mais casos históricos de hantavírus documentados pelas autoridades de saúde europeias. Segundo os dados do ECDC - European Centre for Disease Prevention and Control, a Finlândia destaca-se há décadas como o país com maior incidência por habitante, enquanto a Alemanha costuma liderar em número absoluto de infeções reportadas.
O hantavírus é uma doença transmitida sobretudo através do contacto com urina, fezes ou saliva de roedores infetados. Na Europa, os casos são maioritariamente associados ao vírus Puumala, responsável por uma forma geralmente menos grave da doença quando comparada com as variantes mais conhecidas das Américas.
De acordo com o Relatório epidemiológico do ECDC sobre hantavírus, a maioria dos casos europeus concentra-se no norte e centro da Europa. Em vários anos, Finlândia e Alemanha chegaram a representar mais de 80% dos casos reportados no continente.
Os países europeus com mais casos históricos de hantavírus
Historicamente, a Finlândia é o país mais afetado. O clima frio, as grandes áreas florestais e a abundância do rato-do-bosque (bank vole), principal reservatório do vírus Puumala, ajudam a explicar os números elevados registados ao longo dos anos.
A Alemanha surge frequentemente em segundo lugar e tem surtos periódicos bastante expressivos, especialmente em regiões florestais do sul e oeste do país. A Suécia também apresenta incidência elevada, seguindo um padrão semelhante ao finlandês.
Nos Balcãs, países como Eslovénia e Croácia registam surtos relevantes associados ao vírus Dobrava-Belgrade, considerado mais agressivo e associado a formas mais graves da doença.
Além destes países, Áustria, França e Eslováquia também apresentam números consistentes de casos ao longo do tempo, embora em escala inferior.
Porque é que o hantavírus é mais comum no norte da Europa?
A principal explicação está relacionada com os ciclos populacionais dos roedores selvagens. Quando há aumento da população de ratos-do-bosque, cresce também a probabilidade de transmissão para humanos.
O vírus Puumala circula amplamente nas florestas boreais do norte europeu e pode permanecer ativo em partículas contaminadas presentes em celeiros, caves, armazéns ou casas de campo pouco ventiladas.
Segundo informação científica sobre o vírus Puumala, os surtos humanos acompanham frequentemente os "anos de explosão" populacional destes roedores.
E em Portugal?
Portugal apresenta números muito reduzidos de casos documentados. Nos sistemas europeus de vigilância epidemiológica, o país aparece frequentemente com zero casos ou apenas ocorrências esporádicas.
Isso não significa necessariamente ausência total do vírus, mas sim que a circulação conhecida é muito menor do que nos países do norte e centro da Europa.
Os dados são fiáveis?
Sim. Os dados europeus sobre hantavírus são considerados relativamente sólidos desde os anos 1990 e início dos anos 2000, graças à melhoria da vigilância epidemiológica e dos métodos laboratoriais.
Ainda assim, especialistas admitem que existe subdiagnóstico, sobretudo em casos ligeiros que podem ser confundidos com síndromes gripais ou infeções renais menos específicas.
Resumo
Os dados oficiais mostram que a Finlândia é historicamente o país europeu com maior incidência de hantavírus, seguida pela Alemanha e pela Suécia. Nos Balcãs, países como Eslovénia e Croácia também registam surtos importantes, associados a variantes mais graves do vírus.
A distribuição da doença está fortemente ligada à presença de roedores selvagens, especialmente em regiões florestais frias do norte da Europa.
Em Portugal, os casos reportados continuam a ser raros.
Ainda assim, fica a saber como podes prevenir a presença de ratos e roedores em casa, na arrecadação e jardim.
Queres estar sempre atualizado com a RFM? Segue-nos aqui e fica sempre a par!










