O essencial: em Longyearbyen não se pode morrer nem ser enterrado
Pode parecer absurdo, mas é verdade: na cidade de Longyearbyen, no arquipélago de Svalbard, é ilegal morrer. A regra existe oficialmente desde os anos 50 e está relacionada com um problema muito específico: os corpos não se decompõem devido às temperaturas extremas e ao permafrost permanente (solo congelado em regiões muito frias que retém gases de efeito estufa).
Quando alguém está gravemente doente ou em fase terminal, é normalmente transferido para o território continental da Noruega, a mais de 2 mil quilómetros de distância.
A cidade onde o frio "congela" até os corpos
Longyearbyen fica dentro do Círculo Polar Ártico e é um dos locais habitados mais frios do planeta. As temperaturas podem descer até aos -46ºC e, mesmo nos meses mais "quentes", raramente ultrapassam os 7 graus.
O grande problema está no solo permanentemente congelado. Como a terra nunca descongela totalmente, os corpos enterrados não entram em decomposição natural. E isso não afeta apenas ossos ou tecidos humanos.
Vírus e bactérias podem sobreviver durante décadas
Ao longo dos anos, foram encontrados restos humanos com vírus e bactérias preservados praticamente intactos. Especialistas temem que, com o degelo gradual provocado pelas alterações climáticas, agentes patogénicos antigos possam voltar a ser libertados no ambiente.
Foi precisamente esse risco que levou as autoridades norueguesas a encerrar os cemitérios locais e a impedir novos enterramentos dentro da cidade.
Nem nascer é simples nesta cidade do Árctico
Há outro detalhe curioso: em Longyearbyen também não existem condições para partos. As mulheres grávidas são aconselhadas a viajar para a Noruega continental cerca de um mês antes da data prevista do nascimento.
A cidade tem infraestruturas médicas limitadas e, devido ao isolamento extremo, muitos procedimentos considerados normais noutras partes do mundo tornam-se complicados ali.
Um dos lugares mais estranhos e fascinantes do planeta
Vista de fora, a ideia de "proibir a morte" parece quase surreal. Mas em Longyearbyen, onde o gelo conserva tudo durante décadas, as regras acabam por ser uma questão de segurança pública.
É também isso que transforma esta pequena cidade ártica num dos lugares mais curiosos do mundo.
O que podes levar daqui
É mesmo ilegal morrer em Longyearbyen?
Sim. Não existe uma lei que impeça literalmente alguém de morrer, mas é proibido ser enterrado na cidade devido ao permafrost e aos riscos sanitários associados.
Porque é que os corpos não se decompõem?
Porque o solo está permanentemente congelado. As baixas temperaturas impedem a decomposição natural dos corpos.
O que acontece quando alguém está muito doente?
As pessoas em estado terminal são normalmente transportadas para a Noruega continental para receber tratamento e cuidados finais.
Porque é que os vírus preocupam tanto?
Alguns vírus e bactérias conseguem sobreviver congelados durante décadas. Com o degelo, existe receio de que possam voltar a circular.
Também é proibido nascer em Longyearbyen?
Não exatamente, mas as grávidas são aconselhadas a sair da cidade antes do parto devido à falta de infraestruturas médicas especializadas.









