O essencial:
Mais de 1.700 pessoas foram colocadas em confinamento num navio de cruzeiro atracado em Bordéus, em França, depois de uma morte associada a um caso suspeito de norovírus. Cerca de 50 passageiros e membros da tripulação apresentaram sintomas compatíveis com o vírus, conhecido por provocar surtos rápidos de gastroenterite, sobretudo em espaços fechados. Mas, afinal, como se transmite e o que podes fazer para te proteger?
Um vírus altamente contagioso
O caso aconteceu esta quarta-feira, 13 de maio, em Bordéus, depois das autoridades francesas terem colocado em confinamento os passageiros e a tripulação de um navio de cruzeiro da Ambassador Cruise Line. De acordo com o The Guardian, a decisão surgiu após a morte de um homem de 90 anos, num caso suspeito de infeção por norovírus.
Entre os mais de 1.200 passageiros e os 514 membros da tripulação, cerca de 50 pessoas apresentaram sintomas e estão a ser submetidas a análises. O surto voltou a chamar a atenção para o norovírus, um dos vírus mais contagiosos associados a gastroenterites.
O que é o norovírus?
Segundo o Centro de Controlo e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC), o norovírus é responsável por infeções no estômago e nos intestinos, causando inflamação gastrointestinal aguda. É uma das principais causas de vómitos e diarreia em todo o mundo e pode afetar pessoas de qualquer idade.
Os surtos são particularmente frequentes em ambientes fechados e partilhados, como navios de cruzeiro, devido à proximidade entre pessoas e à facilidade de propagação do vírus.
Quais são os sintomas mais comuns?
Os sintomas costumam surgir entre 12 e 48 horas após a exposição ao vírus e, na maioria dos casos, duram entre um e três dias. Os sinais mais frequentes incluem:
- Náuseas.
- Vómitos.
- Diarreia.
- Dores ou cólicas abdominais.
- Febre ligeira.
- Dores musculares.
- Mal-estar geral.
Como se transmite?
O norovírus propaga-se muito rapidamente e pode permanecer ativo em superfícies durante vários dias. A transmissão acontece sobretudo através de:
- Contacto direto com pessoas infetadas.
- Consumo de água ou alimentos contaminados.
- Contacto com superfícies contaminadas.
- Partilha de utensílios ou objetos pessoais.
Segundo a Mayo Clinic, o vírus consegue resistir a várias temperaturas e até a alguns desinfetantes comuns, o que dificulta o controlo dos surtos.
Existe tratamento?
Não existe um medicamento específico para tratar o norovírus. O tratamento passa essencialmente por repouso e hidratação adequada. As autoridades de saúde recomendam o reforço da ingestão de líquidos para compensar a perda causada pelos vómitos e pela diarreia. Nos casos mais graves de desidratação, pode ser necessária assistência hospitalar.
Como prevenir a infeção?
A prevenção continua a ser a forma mais eficaz de reduzir o risco de contágio. Os especialistas aconselham:
- Lavar frequentemente as mãos com água e sabão.
- Lavar bem frutas e legumes.
- Cozinhar corretamente marisco e outros alimentos.
- Desinfetar superfícies contaminadas.
- Evitar contacto próximo com pessoas infetadas.
- Ficar em casa durante pelo menos 48 horas após o desaparecimento dos sintomas.
O interesse pelo norovírus surge numa altura em que também aumentaram as pesquisas sobre hantavírus, outro vírus associado a surtos e casos graves em diferentes países da Europa. Apesar de serem doenças distintas, ambas levantam preocupações relacionadas com transmissão e sintomas.
Também em Portugal, a Direção-Geral da Saúde divulgou orientações sobre o hantavírus Andes, com regras para identificação, isolamento e acompanhamento de possíveis casos suspeitos.
Enquanto o norovírus se transmite sobretudo através do contacto com pessoas ou superfícies contaminadas, o hantavírus está geralmente associado ao contacto com urina, fezes ou saliva de roedores infetados. Os especialistas alertam para a importância da higiene, ventilação e limpeza adequada de espaços fechados para reduzir riscos de exposição.
Pontos a reter:
- O norovírus provoca gastroenterite aguda e é altamente contagioso.
- Os sintomas principais são vómitos, diarreia e dores abdominais.
- Cruzeiros e espaços fechados favorecem surtos.
- Não existe tratamento específico, mas a hidratação é essencial.
- Lavar as mãos continua a ser uma das medidas mais importantes de prevenção.
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