O essencial:

Portugal não dispõe atualmente de reservas estratégicas de alimentos semelhantes às existentes noutros países europeus, mas o Governo quer mudar esse cenário nos próximos anos, de acordo com o Observador. O plano prevê recuperar e modernizar silos, criar novas infraestruturas de armazenamento e envolver empresas privadas na criação de reservas mínimas de segurança alimentar. Entre os produtos considerados prioritários estão cereais, oleaginosas e conservas de peixe, sobretudo sardinha e cavala.


Governo quer reforçar capacidade de resposta em situações extremas

A criação destas reservas de emergência surge no âmbito do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) e ganhou novo destaque na sequência da guerra na Ucrânia e dos receios de interrupções nas cadeias de abastecimento. O Governo quer garantir que o país consegue manter o acesso a alimentos essenciais durante crises prolongadas.


Ao contrário do modelo alemão, que utiliza armazéns secretos espalhados pelo país, Portugal deverá apostar na recuperação de silos já existentes e na construção de novas estruturas de armazenamento, sobretudo em zonas estratégicas ligadas aos portos e à indústria agroalimentar, afirmou ao Observador o presidente da Federação das Indústrias Portuguesas Agro-Alimentares (FIPA), Jorge Henriques.


O modelo previsto pelo Governo assenta numa parceria com operadores privados. As empresas deverão receber compensações financeiras para manter reservas mínimas de produtos armazenados, definidas pelo Estado.


Ainda não foram divulgadas as quantidades exatas de alimentos que deverão ser armazenadas nem o período de autonomia que o país pretende garantir em caso de crise, revelou Jorge Henriques.


Europa está a reforçar reservas alimentares

A Alemanha já anunciou o reforço das suas reservas estratégicas com alimentos prontos a consumir, enquanto a Finlândia mantém cereais suficientes para vários meses de consumo nacional. Na Suíça, existem reservas obrigatórias de arroz, açúcar, óleos alimentares e até café.


A Comissão Europeia também já apelou aos cidadãos para prepararem kits de emergência com mantimentos básicos para 72 horas.


Pontos a reter:

  • Portugal quer criar reservas estratégicas de alimentos pela primeira vez.
  • O investimento previsto ronda os 200 milhões de euros.
  • Cereais, oleaginosas e conservas de peixe estão entre os produtos prioritários.
  • Empresas privadas deverão receber apoios para armazenar alimentos.
  • O objetivo é reforçar a resposta a crises como guerras, apagões ou catástrofes naturais.
  • Vários países europeus já mantêm reservas alimentares há décadas, segundo o Observador.


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