Essencial

A história dos cromos Panini começou em Itália, em 1961, e rapidamente se tornou num dos maiores fenómenos de colecionismo do mundo. O que começou com pequenas saquetas vendidas por cêntimos transformou-se numa tradição que atravessa gerações, enche recreios, cria comunidades online e continua a alimentar uma verdadeira febre em torno dos Mundiais e Europeus de futebol.

Uma febre com mais de 60 anos

Para muita gente, cheiram a papel acabado de abrir, cola, ansiedade e à esperança de finalmente sair "aquele" cromo que faltava.

Durante décadas, houve um ritual que atravessou gerações quase sem mudar: abrir uma saqueta de cromos à velocidade da luz, espalhar tudo em cima da mesa e começar imediatamente o inventário mental:

"Tenho."
"Tenho."
"Repetido."
"ESPERA… este faltava!"

E mesmo quando saíam cinco repetidos seguidos, havia sempre uma certeza reconfortante: no dia seguinte, alguém na escola teria o cromo certo para trocar. Muito antes das redes sociais, os cromos já criavam comunidades. Até porque este ritual começou há 65 anos, muito antes de a tecnologia ser sequer uma realidade.

Como nasceu o império dos cromos Panini?

A história começa em Modena, em plena Itália do pós-guerra. Em 1961, os irmãos Giuseppe Panini e Benito Panini decidiram transformar duas paixões italianas, futebol e colecionismo, num negócio.

Tudo começou depois de encontrarem um lote antigo de imagens de jogadores de futebol. A ideia parecia simples: colocar cromos em pequenas saquetas e vendê-los em papelarias e quiosques. O resultado foi tudo menos simples.

A primeira coleção oficial sobre o campeonato italiano tornou-se um fenómeno imediato e obrigou à impressão de milhões de saquetas. Pouco tempo depois juntaram-se os irmãos Umberto Panini e Franco Panini, ajudando a transformar a empresa familiar num gigante global.
Hoje, a Panini distribui produtos em mais de 120 países.

Dos recreios para o mundo inteiro

O sucesso da Panini explodiu verdadeiramente com os Campeonatos do Mundo. A partir de 1970, os álbuns do Mundial tornaram-se um ritual quase obrigatório em vários países. E Portugal não ficou de fora.

Mas há um detalhe curioso: os cromos já eram uma febre em Portugal antes da chegada da Panini. Desde os anos 20 que rebuçados e chocolates traziam pequenas imagens colecionáveis. Mais tarde, editoras portuguesas começaram a vender coleções próprias em papelarias e tabacarias.

Ainda assim, a Panini acabou por dominar o mercado graças à dimensão internacional, tecnologia e licenciamento oficial dos grandes torneios.

Nunca houve tantos cromos… nem tão caros

A nostalgia continua viva, mas hoje completar uma caderneta exige quase estratégia financeira. Em 1970, a primeira coleção oficial de um Mundial tinha apenas 270 cromos.

A edição do Mundial 2026 promete bater todos os recordes: terá cerca de 980 cromos, impulsionada pelo novo formato da competição com 48 seleções. E os preços também dispararam. As saquetas passaram de 40 cêntimos em 2006, para 1,50€ em 2026. Mesmo trazendo mais cromos por pacote, completar a coleção tornou-se muito mais caro.

Segundo cálculos do matemático Paul Harper, da Universidade de Cardiff, citado pela SIC Notícias, completar a coleção sem trocas poderia obrigar à compra de mais de sete mil cromos, um custo que ultrapassa os 1.500 euros.

Porque é que os cromos continuam a mexer tanto connosco?

São um verdadeiro fenómeno, que acompanham gerações e a mudança dos tempos. Se antes o cenário principal da troca de cromos era o recreio da escola, agora esta febre também já chegou às redes sociais. Vais ao Youtube ou TikTok e são vários os vídeos de pessoas a mostrarem-se a abrir saquetas de cromos.


Os cromos representam infância, competição saudável, nostalgia e traz-nos aquela sensação de recompensa quando abrimos uma saqueta e vemos um cromo que procurávamos há tanto tempo.

Queres estar sempre atualizado com a RFM? Segue-nos aqui e fica sempre a par!