Essencial

Comprar casa em Portugal não depende apenas do preço do imóvel. O fator decisivo é muitas vezes o teu rendimento mensal e a chamada taxa de esforço, ou seja, a percentagem do salário que vai ser usada para pagar a prestação ao banco.

Segundo o Banco de Portugal, uma taxa de esforço acima dos 40% representa uma sobrecarga para uma família com rendimento mediano. Em muitas zonas do país, de acordo com a RTP, especialmente em Lisboa e no Porto, esse limite já está a ser ultrapassado.


Mas afinal, quanto é preciso ganhar para comprar casa em Portugal em 2026?


O que os bancos analisam antes de aprovar um crédito

Quando pedes um crédito habitação, o banco não olha apenas para o valor da casa. Avalia também:

  • O rendimento líquido do agregado;
  • A estabilidade profissional;
  • Outros créditos ou dívidas existentes;
  • A idade dos titulares;
  • A taxa de esforço.

A DECO PROteste explica que a taxa de esforço corresponde ao peso dos empréstimos no rendimento mensal da família e recomenda que não ultrapasse os 35%.

A fórmula é simples:

Taxa de esforço = (prestações mensais ÷ rendimento líquido mensal) × 100.


Então, quanto precisas realmente de ganhar?

Não existe um valor único para todos os casos. Tudo depende do preço da casa, da entrada inicial e do prazo do empréstimo.

Ainda assim, há um indicador que ajuda a perceber a dimensão do problema.

Um estudo divulgado pelo Banco de Portugal, citado pela RTP, concluiu que, em Portugal, o peso da prestação de uma habitação de preço mediano representa cerca de 48% do rendimento mediano das famílias, um valor acima do limiar de 40% considerado sustentável.

Em termos práticos, isto significa que muitas famílias com rendimentos médios têm hoje dificuldade em obter financiamento para comprar casa sem comprometer demasiado o orçamento.


Lisboa e Porto continuam a ser os casos mais difíceis

As maiores dificuldades continuam a concentrar-se nas zonas metropolitanas.

Segundo os dados analisados pelo Banco de Portugal:

  • Em Lisboa, a prestação teórica para uma casa de dimensão mediana equivale a cerca de 102% do rendimento mediano familiar;
  • No Porto, esse valor ronda os 84%.

Isto ajuda a explicar porque tantas pessoas estão a procurar habitação em concelhos periféricos ou a adiar a compra da primeira casa.


A maioria dos portugueses mantém prestações abaixo dos 20%

Há, no entanto, uma diferença importante entre quem compra casa hoje e quem já tinha crédito contratado.

Dados divulgados pelo Banco de Portugal, avança o Doutor Finanças, mostram que mais de metade dos créditos habitação existentes têm uma taxa de esforço igual ou inferior a 20%.

Isto acontece porque muitos destes empréstimos foram contratados antes da forte subida dos preços das casas registada nos últimos anos.


E os jovens?

Os apoios criados pelo Estado vieram facilitar a compra da primeira habitação para algumas pessoas até aos 35 anos.

A garantia pública permite, de acordo com o Doutor Finanças, em determinadas condições, obter financiamento até 100% do valor da casa. Entre os requisitos estão:

  • Ter entre 18 e 35 anos;
  • Ter domicílio fiscal em Portugal;
  • Não possuir habitação própria;
  • Ter rendimentos até ao limite do 8.º escalão do IRS.

Mesmo assim, os dados do Banco de Portugal mostram que os jovens que recorrem a esta medida apresentam, em média, taxas de esforço superiores às da generalidade dos compradores.


Resumo rápido

  • O valor do salário continua a ser um dos fatores mais importantes para comprar casa.
  • Especialistas e entidades de defesa do consumidor recomendam uma taxa de esforço até cerca de 35%.
  • O Banco de Portugal considera que valores acima de 40% representam uma situação de sobrecarga financeira.
  • Em muitas zonas do país, especialmente Lisboa e Porto, a prestação de uma casa de preço mediano já ultrapassa esse limite.
  • Os apoios aos jovens facilitam o acesso ao crédito, mas não eliminam o desafio dos preços elevados da habitação.


Perguntas Frequentes:

Qual é a taxa de esforço recomendada para comprar casa?

A DECO PROteste recomenda que não ultrapasse os 35% do rendimento líquido mensal.

O Banco de Portugal permite taxas de esforço mais elevadas?

Sim. As regras macroprudenciais permitem, de acordo com o Millennium, em determinadas situações, rácios mais elevados, embora o objetivo seja evitar situações de sobre-endividamento.

É possível comprar casa sem entrada inicial?

Alguns jovens até aos 35 anos podem beneficiar da garantia pública do Estado, que permite financiamento até 100% do valor do imóvel, desde que cumpram os critérios de elegibilidade.

Comprar casa está mais difícil do que há alguns anos?

Sim. O Banco de Portugal concluiu que o peso das prestações da habitação face ao rendimento das famílias aumentou significativamente desde 2019, sobretudo devido à subida dos preços das casas e dos juros. Comprar casa pode vir a ficar ainda mais difícil.



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