O essencial
Meteorologistas estão a acompanhar sinais de formação de um novo episódio de El Niño.
- Alguns modelos climáticos admitem a possibilidade de um fenómeno de forte intensidade, conhecido popularmente como "super El Niño".
- Ainda não existe confirmação de que esse cenário venha a acontecer.
- O El Niño influencia temperaturas, chuva, secas e fenómenos meteorológicos extremos em várias regiões do planeta.
Há um fenómeno no Pacífico que está a deixar os cientistas atentos
Quando se fala em ondas de calor, secas ou chuvas intensas, há um nome que surge frequentemente nas explicações dos especialistas: El Niño.
Apesar de acontecer no Oceano Pacífico Equatorial, a milhares de quilómetros de Portugal, este fenómeno climático tem capacidade para influenciar padrões meteorológicos em várias regiões do mundo.
Agora, novos dados estão a levar alguns meteorologistas a acompanhar de perto a evolução das temperaturas do oceano. Segundo projeções recentes da agência norte-americana NOAA, existe uma elevada probabilidade de desenvolvimento de um novo episódio de El Niño durante os próximos meses.
A principal dúvida já não é apenas se o fenómeno vai surgir, mas sim qual poderá ser a sua intensidade. Alguns modelos climáticos apontam para um evento forte e há especialistas que admitem até a possibilidade de um chamado "super El Niño".
O que é um "super El Niño"?
O El Niño acontece quando as águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial ficam anormalmente mais quentes do que o habitual.
Esse aquecimento altera a circulação atmosférica e pode desencadear mudanças significativas nos padrões de temperatura e precipitação em diferentes continentes.
O termo "super El Niño" não corresponde a uma classificação oficial, mas é frequentemente utilizado para descrever episódios excecionalmente intensos, como os registados em 1982-83, 1997-98 e 2015-16. Estes eventos ficaram associados a fenómenos meteorológicos extremos e a alterações climáticas sentidas à escala global.
Porque é que os especialistas estão preocupados?
Segundo vários centros de monitorização climática, as águas do Pacífico têm vindo a aquecer de forma persistente nos últimos meses, um dos sinais clássicos associados ao desenvolvimento do El Niño.
Daniel Swain, climatologista citado pela Euronews, explica que os modelos estão a detetar volumes invulgarmente elevados de água quente em profundidade, um fator que costuma estar associado aos episódios mais intensos do fenómeno.
Ainda assim, os cientistas sublinham que é demasiado cedo para garantir que haverá um "super El Niño". A intensidade final dependerá da evolução das temperaturas oceânicas ao longo dos próximos meses.
E o que pode acontecer se o fenómeno ganhar força?
Os efeitos variam de região para região, mas os especialistas associam normalmente os episódios mais fortes de El Niño a:
- Aumento das temperaturas médias globais;
- Ondas de calor mais frequentes;
- Períodos de seca em algumas regiões;
- Chuvas intensas e inundações noutras partes do mundo;
- Maior ocorrência de fenómenos meteorológicos extremos.
Importa recordar que o impacto em Portugal não é direto nem previsível com meses de antecedência. Os especialistas alertam que a influência do El Niño na Europa é mais complexa do que noutras regiões do planeta.
O que sabemos neste momento?
A resposta mais honesta é: ainda não sabemos se haverá um "super El Niño".
O que existe é um conjunto de sinais que aponta para uma possível formação do fenómeno durante este ano. A NOAA estima uma forte probabilidade de desenvolvimento do El Niño nos próximos meses, mas a intensidade continua a ser uma das maiores incógnitas.
Por isso, os próximos meses serão decisivos para perceber se estamos perante um episódio moderado ou um dos fenómenos climáticos mais intensos das últimas décadas.
Resumo rápido
- O El Niño poderá regressar nos próximos meses.
- Alguns modelos admitem um cenário de forte intensidade.
- Ainda não existe confirmação de um "super El Niño".
- O fenómeno pode influenciar temperaturas e precipitação em várias regiões do mundo.
- Os cientistas continuam a monitorizar a evolução das temperaturas do Pacífico.
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