É uma das confissões mais sinceras de Gabriela Barros no novo episódio do podcast Falar Demais com Inês Bento. A atriz fala sem filtros sobre a profissão, admite que nem todos os projetos lhe deixaram boas memórias e explica porque, muitas vezes, dizer "não" continua a ser uma das coisas mais difíceis da carreira.
Pelo meio, recorda os Morangos com Açúcar, fala sobre os bastidores da Cataplana de Paixão, a infância na Bélgica, a filha que a manda calar quando canta e a possibilidade, felizmente nunca concretizada, de trocar a representação pela aviação.
Relembra também os primeiros sinais de que o palco seria inevitável e fala, com enorme honestidade, sobre os momentos mais felizes (e também os mais difíceis) da profissão.
As anedotas eram a melhor disciplina da escola
A escola nunca foi propriamente o lugar onde mais brilhava... pelo menos nas notas.
Gabriela conta que era uma aluna mediana e que uma professora encontrou uma forma muito particular de lhe dar confiança: no final das aulas, reservava sempre alguns minutos para que ela contasse as anedotas de um livro que tinha recebido.
A atriz brinca hoje com essa memória e acredita que talvez fosse a forma encontrada pela professora para lhe mostrar que também tinha talento.
Chegou até a ouvir um comentário que nunca esqueceu:
"É pena que a Gabriela não decore a matéria como decora as anedotas."
Mas havia uma área onde ninguém lhe fazia frente: nas peças da escola era quase sempre escolhida para interpretar a personagem principal.
O vício de representar começou na casa de banho
Muito antes dos castings e dos palcos, já existia uma pequena atriz em casa.
Gabriela recorda que gravava séries em VHS, voltava atrás vezes sem conta, fazia pausa para escrever todas as falas das personagens e depois levava o "guião" para a casa de banho, onde representava cada cena como se estivesse já em frente às câmaras.
Hoje olha para trás e percebe que talvez o caminho estivesse traçado muito antes de o admitir.
Afinal, ainda hoje é "a Marta dos Morangos"
Pouca gente sabe, mas Gabriela Barros quase recusou fazer os Morangos com Açúcar.
Na altura, depois de participar numa série de época, acreditava que queria seguir um percurso diferente e não via a novela juvenil como o projeto certo para a carreira que imaginava.
Acabou por aceitar depois de muita insistência.
E não se arrepende.
Décadas depois, continua a ser reconhecida por essa personagem.
"Ainda hoje tenho pessoas que perguntam: 'É a Marta, não é?'"
Nem todos os trabalhos ficam no coração
A profissão de ator também tem um lado menos glamoroso.
Gabriela assume que houve projetos que aceitou simplesmente porque precisava de pagar as contas.
Nem todas as experiências correram bem e nem todos os trabalhos lhe deixaram boas memórias.
Ao mesmo tempo, admite que continua a ter dificuldade em dizer que não. Muitas vezes aceita vários projetos em momentos diferentes e acaba por vê-los arrancar todos ao mesmo tempo.
O resultado? Períodos de trabalho intensíssimo que quase a levam ao limite.
"Tenho muito orgulho desse projeto"
A conversa passa inevitavelmente pela radionovela Cataplana de Paixão, um dos projetos mais marcantes dos últimos meses na RFM.
Gabriela não esconde o carinho pela produção.
"Tenho muito orgulho desse projeto".
A atriz revela ainda alguns dos bastidores mais divertidos das gravações.
Grande parte dos adereços sonoros era levada por Rui Melo e Nuno Lopes, que apareciam todas as semanas com sacos cheios de objetos improváveis.
Pacotes de esparguete, esponjas de cozinha, fita-cola... tudo podia transformar-se no efeito sonoro perfeito.
Gabriela acredita que Nuno Lopes passava os domingos a experimentar objetos em casa para descobrir novos sons.
E deixa também o desejo: que venha uma segunda temporada.
A crítica mais dura vem da filha
Se há alguém que não se impressiona com a carreira da atriz é a filha.
Quando Gabriela canta, a resposta costuma ser imediata:
"Shiu... cala-te".
Depois de assistir ao musical Mães, a conclusão da menina também ficou na memória.
Para ela, o trabalho da mãe resume-se a uma coisa:
"As amigas atiram-na para o sofá".
Já quando alguém pede uma fotografia à atriz, a reação é outra: tenta perceber quem é aquela pessoa e por que razão quer tirar uma fotografia com a mãe.
A mãe continua a ser a crítica mais exigente
Gabriela conta que cresceu com uma mãe muito sincera, daquelas que não têm problema em apontar aquilo de que não gostam.
Por isso, ficou especialmente feliz quando a levou a assistir ao episódio ao vivo da Cataplana de Paixão.
Saiu encantada.
E hoje toda a família acompanha com orgulho o percurso da atriz.
Aliás, a mãe já faz previsões para a geração seguinte.
Segundo Gabriela, acredita seriamente que a neta vai seguir o mesmo caminho artístico.
O plano B era ser hospedeira, hoje seria impossível
Nem sempre teve a certeza absoluta de que seria atriz.
Houve uma altura em que ponderou uma alternativa completamente diferente: ser hospedeira de bordo.
Hoje ri-se dessa possibilidade.
"Eu hoje em dia morreria se tivesse sido hospedeira".
Com os anos ganhou muito mais receio da aterragem e admite que viajar de avião deixou de ser uma experiência tranquila.
"Hoje em dia, para mim, apanhar avião é um dia de stress".
Uma confissão inesperada para terminar uma conversa cheia de histórias, humor e honestidade.
O essencial
- Gabriela Barros explica porque não gosta de ser apresentada como humorista.
- Recorda a infância na Bélgica e as anedotas que contava na escola.
- Revela que quase recusou entrar nos Morangos com Açúcar.
- Assume que já aceitou trabalhos apenas para pagar contas.
- Conta os bastidores da radionovela Cataplana de Paixão e espera uma segunda temporada.
- Partilha histórias divertidas sobre a filha e sobre a mãe.
- Confessa que hoje nunca conseguiria ser hospedeira de bordo por causa do medo de voar.
O episódio já está disponível nas plataformas habituais e em vídeo no YouTube da RFM.
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