O Natal está aí à porta.

E se eu quisesse esquecer isso, a televisão não me deixa.

São anúncios de brinquedos e outros, são músicas, são decorações, são desenhos animados, são filmes. É a temática do momento.

E faz sentido que seja, claro, é a época certa. Já experimentaram ver um filme de natal do verão?

É desonesto. Está bem, aí está frio e vocês estão todos à volta da lareira, mas aqui estão 35 graus. Soa a falso, parece que estamos a tentar forjar o espírito, não contem comigo para essas desonestidades. Eu sou puro.

Adiante, eu sou pai de duas crianças pequenas, e parte de ser pai é ver coisas repetidas, porque os miúdos, quando gostam de um filme, gostam de o ver muitas vezes.

Ultimamente tenho sido exposto a uma pequena peça cinematográfica chamada “Mickey - um natal mágico”.

E ser pai é ter que, aparentemente, ver o “Mickey - Um natal mágico”, cerca de 107 vezes.

E muito, honestamente, eu tenho questões.

Ora bem, então o filme conta 3 histórias de natal, todas elas com uma moral, e eu vou só falar da terceira, e última história.

Estamos no inverno, epoca natalícia, e abre com o Mickey e o Pluto a andarem na rua. O Mickey está a tocar harmónica (muito bem, por sinal) enquanto arrasta uma árvore de Natal. Ambos param para adorar um colar que o Mickey quer oferecer à Minnie

Em casa, a Minnie também chegou do trabalho e está a fazer o jantar.

Manifesta preocupação por terem muitas contas para pagar, e nós, vítimas deste filme, vemos realmente muitas contas. Algumas dizem “atraso” e, se não estou em erro, vemos um aviso de despejo.

Mas eles, Minnie e Mickey, são um casal feliz apesar das dificuldades, e adoram-se. Ela adora ouvi-lo tocar e aprecia a paxão que ele tem pela música. Já ele sabe que ela adora um coração de ouro que recebeu de herança.

Para o Natal, ele quer oferecer-lhe um colar, de surpresa, para ela pendurar o coração de ouro, e ela quer oferecer-lhe uma caixa para a harmónica.

Infelizmente, por várias questões, ela não recebe o bónus de Natal que esperava e ele é despedido do emprego que tinha a vender árvores de Natal.

Sim, tudo aqui é glamour da Disney.

Mas não há motivo para alarme, tudo vai ficar bem, porque o Mickey vende a harmónica para comprar o colar da Minnie. Contudo, azar dos Távoras, a Minnie vende o coração de ouro para comprar uma caixa da harmónica.

E parece que isto vai ser um problema, mas depois não é, porque eles gostam tanto um do outro que riem e isto afinal não tem importância.

A moral é qualquer coisa sobre os presentes não serem importantes quando estamos com aqueles de quem gostamos.

Contudo, eu acho que, sobretudo, isto é uma história de um casal que precisa de comunicar!!! E precisa de literacia financeira!

E de ser fiscalmente responsável!

Então estão prestes a ser despejados e vendem as posses que têm para comprar presentes? Mas está tudo estúpido?! Em vez de pagarem as contas em atraso!?

É que o filme acaba bem, mas tenho a certeza que, se continuasse, era com os dois pombinhos a viverem na rua. E durante o inverno, que é a pior altura!!

Eu fico irritadíssimo com este filme. Não sejam como este Mickey. Sejam responsáveis!

A moral é: se tiveres contas para pagar, paga as contas!

Está tudo bem, fazes o Natal em fevereiro, até aproveitam os saldos e tudo.

Isto para não dizer que o Mickey vendeu a harmónica, que era o talento dele. No limite tocava na rua e ganhava uns cobres, mas nem isso. Mickey… seu calhau.

Enfim, uma tristeza.

Tenho medo que os meus filhos, a ver isto, cresçam para ser adultos que recorrem a crédito fácil e isso, para mim, seria falhar como pai.



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