O Natal já foi. Sejam bem-vindos aos dias de ninguém. Cá estamos.

É o olho do furacão, entre a azáfama natalícia e as festividades do réveillon. Gosto muito da palavra réveillon, também gosto da palavra revelhão (que nem sei se existe, mas sei que é bastante horrível).

(Entretanto fui ver à net e diz que é a versão portuguesa da palavra francesa réveillon, que se refere à ceia de Natal).

É aquela sensação de quando acabamos uma tarefa, e temos outra daqui a bocado, mas no intervalo não temos tempo de começar nenhuma. Por exemplo, acabámos de almoçar, temos de sair daqui a dez minutos… não há tempo para ver uma série, não há tempo para nada, então ficamos só a olhar para o nada.

Estamos a viver um bocadinho o “períneo dos dias” (conceito arrojado com o qual estou satisfeito).

Mas pronto, fi-nal-men-te acabou o Natal.

Os nossos parentes já não estão presentes. O que é um alívio. Sejamos sinceros, se gostássemos assim tanto da nossa família, não os víamos só uma vez por ano.

A casa está um caos.

Os contentores do lixo estão a abarrotar de papel, num desperdício completamente descabido, num cenário pós-apocalíptico, se a causa do apocalipse tivesse sido excesso de Natal… mas que vamos ignorar porque é “NATAL!!!!”.

(Aproveito para dar os parabéns a quem planeou a greve de limpeza do lixo para esta altura. Excelente escolha.)

Estamos com aquela ressaca alimentar de quem claramente comeu demais sem qualquer tipo de discernimento, mas não faz mal, até porque vamos estar a comer restos durante 4 dias. Fatias douradas com 6 dias estão boas, certo? Também se não estiverem é um problema para 2025.

Há todo um sentimento pós festa. As luzes ainda cá estão, mas a vibe que deixam é meio de fadiga e não tanto de festarola. Como se o Natal devesse ter ido dormir a casa, mas em vez disso ficou a dormir cá e agora está a acordar, todo borrado de maquilhagem, com um salto alto partido, e a pedir um carregador só para conseguir ter bateria no telefone para chamar um Uber de volta para o Polo Norte.

Alguns dos anúncios de Natal ainda não foram retirados, o que é só estranho.

Parece que é boa ideia aproveitar para trocar presentes, mas confiem em mim, não é.

É péssima. As lojas continuam ao barrote, porque há imensa gente que não trabalha nesta altura.

Há toda uma inundação de brinquedos. Velhos e novos acumulam-se e não há espaço para todos. Infelizmente decisões duras terão de ser tomadas. Não há recursos para todos e alguns terão de ser sacrificados. É difícil, mas tem de ser.

Muitos brinquedos, poucas pilhas. Há um problema de falta de pilhas, claro.

Fica a dica para o ano, se derem um presente que precisa de pilhas, ofereçam também as pilhas.

Está na altura de ganhar fôlego. Especialmente porque o fim de ano está aí à porta e vai ser, como é todos os anos, uma desilusão.

VAMOS!



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